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«Citações e Pensamentos de Bocage», 180 Citações, 75 Textos, 100 Sonetos, 239 Páginas.
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Opinião de Leitura
Crítica das Ligações na Era da Técnica Crítica das Ligações na Era da Técnica Autor: José A. Bragança de, Miranda Leitor: Luís Rijo
Opinião Uma recensão sobre os três últimos capítulos deste livro.

Este livro trata-se de um colóquio apresentado por vários autores que discursam acerca da Cibercultura e das ligações. Cada capítulo fala sobre um diferente tipo de ligação: As ligações estranhas, em que se discute a contra-deferição da noção do perigo em relação ás ligações; as ligações livres, em que se questiona se a liberdade do sujeito é uma propriedade ou um efeito de ligação; As ligações perigosas em que se fala da noção do perigo em relação ás ligações; As ligações enredadas em que se discutem as matrizes e os seus papéis; Por último as ligações on/off em que se fala da compulsividade das ligações e do tema da ligação humana.
È sobre estes 5 tipos de ligações que falaremos de seguida nesta recensão.

Ligações estranhas
...
Ligações livres
...
Ligações enredadas
...


Ligações Perigosas

O conceito de “Ligações Perigosas” é abordado por quatro autores neste Livro.

O primeiro, Steven Shaviro, professor de Cinema, Literatura e Cultura Inglesa reflecte sobre as Ligações Perigosas confrontando o leitor com várias ideias de outros autores, como por exemplo Jeter ou Paulina Borsook. É nesta contribuição de Steven Shaviro, intitulada de “Ligações Perigosas: a ontologia das redes digitais” que ficamos a conhecer os perigos da Rede.

É nesta Rede que as pessoas “Querem ser conectadas; os clientes são uns rabos sempre à espera de levar; quanto mais à bruta for, mais gostam. Este é um segredinho sujo que as multinacionais conhecem.” – Paulina Borsook, Ciberselfish. É exactamente neste contexto que as ideias começam a desenrolar-se; a Rede começa a evidenciar-se como um potencial perigo para nós e Steven Shaviro particulariza em vários tópicos essas situações.

As ligações na Rede, como por exemplo a Televisão ou a Internet constituem um perigo para o Ser Humano pois já não consegue desligar-se delas. Elas fazem parte do seu dia a dia controlando os seus comportamentos. Esta nova ideia de Rede é fascinante por isso, pois hoje temos consciência que ela existe mas nada podemos fazer para desligá-la. Esta Rede “é um sistema que se gera, organiza e mantém a si próprio”, “uma estrutura dissipadora; algo que gera estabilidade local e mantém a homeostasia em condições que estão em equilíbrio”. Ora nada a consegue controlar e todos os agentes sociais querem estar conectados a ela o que dá um enorme poder à Rede digital.

Hoje a nossa educação é feita pela Rede. As prisões, as escolas, as fábricas onde o Ser Humano era um recluso da sociedade e aprendia as regras e protocolos a seguir perderam o poder, sucedendo-lhes a Rede na ocupação desse papel. A mediatização dos meios de comunicação é a principal instituição de controle social dos nossos tempos e só agora o Ser Humano se apercebe disso. Os sinais são evidentes; comportamentos do Ser Humano são debatidos diariamente. O autor destaca a nova anti-sociabilidade do Homem como um dos efeitos do desenvolvimento das Novas Tecnologias. Hoje uma pessoa pode conhecer dezenas de pessoas com outras culturas em regiões do globo distantes e, no entanto, não conhecer as pessoas da sua região. A Rede desliga-nos ao mesmo tempo que nos conecta.

Maria Filomena Molder, professora de Estética e Antropologia Filosófica, envolve-nos num ambiente histórico e filosófico. A autora através da lei da causalidade, introduzida na Europa por Hume explica os novos comportamentos do Homem na sociedade da técnica. Comportamentos como “não constituir família, não deixar fermentar as emoções,” derivam de uma “concepção de causalidade” onde não há um fins em vista mas uma causa ou várias.

A autora considera ainda que de um ponto de vista filosófico o Homem vive numa “Realidade Virtual”, ou seja num sonho do qual não quer sair. Cada vez o homem usa mais a sua liberdade imaginativa, que o transporta para outros mundos que não o seu. Bastará tomar como exemplo as produções cinematográficas dos dias de hoje, a sua maioria feita através de computadores sem filmagens no exterior.

Ora, mas o que são as ligações perigosas para esta professora da Universidade Nova de Lisboa? São várias as ligações perigosas “desde a alimentação até à guerra, à troca comercial, ao amor.” Mas para outros a resposta é diferente. O perigo está no facto de o Homem deixar de experienciar a vida em virtude da técnica.

No fim, esta professora alerta o leitor de que “não se pode confundir uma experiência autêntica com aquisição informativa”. A autora acha que é preciso ponderar sobre esta matéria pois o exagero levará a que o indivíduo se torne num Niilista, que só em Nietzsche teve representante à altura. Mas ser um socrático como criticava Nietzsche, é um perigo desta sociedade da técnica e das ligações, o de viver as coisas de imediato mas sem desfrutar delas.

Eduardo Prado Coelho, em “Estruturas e Redes”, afirma que na nossa sociedade “tudo são redes, dos sistemas neuronais ao terrorismo e às guerras. Atribuindo um novo nome à nossa sociedade que deixa de ser pós-moderna para passar a ser designada por “sociedade-rede”.

Se repararmos na organização das cidades elas funcionam em Rede, os transportes e até a arquitectura, A electricidade é uma boa comparação com a Rede, pois a energia viaja entre pontos e nós importantes, assim como a Rede tem pontos, os meios de comunicação. A nossa Rede tornou-se ainda mais flexível com as novas tecnologias Wireless e os Telemóveis, que nos permitem andar no espaço enquanto estamos a falar com uma pessoa. Tenho sempre acesso à Rede em qualquer ponto do globo onde esteja via satélite, por exemplo.

A Rede é um organismo dinâmico, vivo. A Rede não funciona apenas com estruturas fixas, funciona com estruturas móveis, que evoluem no tempo. A Rede por exemplo alterou o termo “Vizinhança” que antigamente daria uma ideia de proximidade mais curta. Hoje os horizontes do indivíduo comum foram alargados pela Rede.

Já Bojana Kunst, especialista em Filosofia do corpo e da tecnologia preocupa-se com o facto do perigo que consiste a dominação do Homem pelas suas tecnologias. O Ser Humano deixa-se dominar pela Rede e pela técnica porque elas são atractivas, no sentido em que o Homem deixa de ter barreiras racionais ou subjectivas nesta realidade construída, dia após dia, por ele; pois o Homem é um ser limitado e deixa de saber o que é a realidade, se está vivo ou não, ou senão passa simplesmente de uma máquina.

Nesta frase: Quando namorisco com o corpo de outra pessoa por intermédio de variadas Redes, afectará isso realmente a forma como o Outro vive comigo? Será que apenas me resta um ponto de ligação: nenhum perigo, apenas um jogo infinito, picante mas não muito, oposição sem oposição, corpo sem carne, liberdade sem direitos constitucionais, perversidade com medo da intimidade? É esta frase que em forma de conclusão, a autora faz a sua alusão à atracção e ao conforto que a Rede pode trazer aos medos do Homem. E acaba o texto assim: “O perigo continua a espreitar lá atrás, reflectindo no excesso de imobilidade. O perigo reside na Ligação Íntima. O que acontecerá se o Outro nos amar em excesso?

Ligações On/Off

A forma como foi desenvolvido este tema é muito similar de autor para autor, ao contrário do que se assiste no capítulo anterior, “Ligações Perigosas”.

José A. Bragança de Miranda, doutorado em Ciências da Comunicação pensa que “por várias razões, a questão da ligação está a tornar-se incontornável. E, com ela, a questão das desligações.” É da desligação que nos leva a pensar na “crise”. O autor atribui sinónimos à palavra “desligação; interrupção, colapso, acidente, etc.“ O que é facto é que a sociedade Ocidental tem pânico só de pensar que é desligado da Rede, isso levaria ao “caos absoluto” e estar ligado à “comunidade absoluta”.

Segundo o professor, ligações perfeitos e coesas dispensariam a política da nossa sociedade. A modernidade é indissociável da desligação, pois desligou-se da sociedade antiga – medieval e “quando afrouxam as ligações fortes e forçadas que caracterizavam o mundo antigo tudo se torna problemático, tenso.” Porque os valores perdem-se os mecanismos de controle dissolvem-se, a organização fica perdida no tempo.

José Bragança de Miranda, escritor, também nos introduz o conceito de “«erótica» técnica”, que nos induzem ao desejo, destacando a função do Marketing na nossa sociedade, como por exemplo o caso dos Best Sellers.

Friedrich Kittler, professor de Estética e de História dos Media, considera o pensamento binário na sua contribuição para este Livro, começando assim o seu “capitulo”: “A marcha triunfal, à escala mundial, dos computadores digitais, promoveu a oposição entre Ligado e Desligado, Um e Zero, Aberto e Fechado a autêntico princípio fundamental e, portanto, categoria.” Segundo o professor, é este pensamento que está na base de toda a nossa tecnologia, e é com base nele que vamos evoluindo construindo novas realidades virtuais.

Helder Coelho, doutorado em Engenharia Informática, apercebe-se da complexidade do tema em questão, “as Ligações na Era da Técnica” e intitula o seu capítulo assim: “A atracção irresistível pela complexidade”. Nesta complexidade o autor separa os temas sempre em dois, por exemplo Ligado e Desligado. Um computador sem Internet resume-se a isso mesmo, uma pessoa em frente ao computador. Mas se por ventura, o computador estiver ligado à Internet a atracção pela interacção com o Outro é enorme. Pela descoberta de novas coisas.

O professor Catedrático da Universidade de Lisboa, reflecte neste capítulo sobre a ligação humana com o artificial. E, estabelece ainda vários pontos para reflexão como as dictomias micro-macro e Ligado/Desligado. Hoje a relação do Homem com as máquinas encontrasse em evolução. Portanto a linguagem muitas vezes transforma-se em biológica. O autor destaca o exemplo de um vírus, ele não se desliga mas, mata-se.

Roc Parés, no seu texto “Etologia de Z” descreve-nos o programa Z.exe que é “uma mosca que dialoga com o cursor” no Desktop. Esta pequena mosca virtual interage com o Humano e capta a sua atenção. Ela é quase como se fosse um animal dentro do nosso ecrâ que lhe dá vida. E que relação tem ela com a Rede? Ela é um parasita que recebe e envia informações de um PC remoto para outro. Assim, quem tem a Z.exe no seu computador faz parte de uma comunidade.


Obras Digitais

Manuel José Damásio, explica que a arte é temporal pois o seu criador está condicionado às circunstâncias do momento. Não existe uma arte relacionada exclusivamente com este tema, a Técnica. Mas a Técnica lançou diversas formas de arte que circulam na WWW. São os softwares vulgarmente designados por aplicações multimédia, que dão capacidade ao criador de se projectar através de obras que singularmente transmitem algo.

As obras que foram inseridas neste livro têm os seguintes formas: reactiva, comportamental e evolutiva. A tecnologia muitas vezes serve de inspiração para estas obras e as outras formas não presentes neste livro são a codificada e a percentual, segundo Glorianna Davenport, autora de um artigo presente da bibliografia do autor.

CONCLUSÃO

Neste livro, dezoito autores debatem exaustivamente as ligações na era da técnica. Assiste-se ao rebentamento de uma sociedade nova, de uma linguagem nova, de inclusivé pessoas novas. A sociedade-rede onde os comportamentos sociais mudam de dia para dia, onde uma revolução tecnológica sem fim atravessa tudo e todos sem nos pedir licença. Porque o Homem não consegue fugir das suas invenções. A Rede e as suas ligações controlam o ser humano, permitem-nos viver neste mundo globalizado e actualiza-se mais rapidamente que o Ser Humano. É um invenção para além do Homem, que nos leva a realidades diferentes do que as que conhecemos até hoje.

A relação entre a máquina e o Homem é de uma dependência extrema pois é impossível hoje vivermos sem a tecnologia que criámos, assim como ela nos controla, nós a desenvolvemos cada vez mais. Isso acarreta perigos que neste momento estão a ser detectados. Mas serão problemas ou será a evolução de um novo tipo de Homem que está a eclodir por dentro de tanta tecnologia. Existe uma Rede viva que nos cria, que nos educa e controla e até nos transforma. As suas ligações rapidamente se desligam e criam-se novas como por exemplo o desligar da sociedade medieval. O Homem moderno da sociedade pós-moderna está a nascer. Um Homem com valores diferentes das antigas gerações, um Homem técnico, superficial, com uma Rede à sua disposição e uma realidade virtual para ultrapassar as barreiras do passado.

O Homem é um ser limitado pela sua condição física e só através de uma Realidade Virtual ele consegue ultrapassar todas essas barreiras. Até as relações sociais se alteraram dando lugar a contactos não físicos, apenas de mera aquisição informacional. A informação é o meio que a Rede tem para nos dominar, até os nossos sentimentos e sensações quase que são substituídas pela informação. Nietzsche e as suas previsões sobre o Homem moderno estão a ser presenciadas nos dias de hoje e cada vez mais o seu modelo, a sua maneira de viver está a ser abandonada pelo Homem da Sociedade-Rede.
Comentários Este livro foi escrito por

Ligações Estranhas
.José Gil
.Maria Teresa Cruz
.Simon Penny
.Laura Mulvey

Ligações Livres
.José Augusto Mourão
.Hermínio Martins
.Brian Massumi
.Fernando José Pereira

Ligações enredadas
.António Machuco
.Katherine Hayles
.Delfim Sardo
.Miguel Leal

Ligações Perigosas
.Steven Shaviro
.Maria Filomena Molder
.Eduardo Prado Coelho
.Bojana Kunst

Ligações On-Off
.José A. Bragança de Miranda
.Friedrich Kittler
.Helder Coelho
.Roc Parés

Obras Digitais
.Manuel José Damásio
.Fernando José Pereira
.Miguel Leal
.Igor Stromajer
.Antoni Abad

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