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Sábado
Autor: McEwan, Ian
Editora: Gradiva
Utilizador: Isabel Reis, Setúbal
Apreciação Pessoal:
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Género: Romance
Idioma: Português
Ano de Publicação da 1ª Edição: 2005
Ano de Publicação da Edição Corrente: 2005
Local de Publicação: Lisboa
Ano de Compra: 2005
Páginas: 330
Entrada na Base de Dados em: 20050709
Titulo Original: Saturday
Idioma Original: Inglês
Tradutor: Maria do Carmo Figueira
Opinião:
Há momentos que podem alterar tudo o que damos por certo na nossa existência e certos dias podem condensar o conjunto de todos os outros dias que já vivemos. “Sábado” é isso mesmo. A última ficção de Ian McEwan passa-se num só dia. Mas um dia em que acontecem coisas extraordinárias na vida de Henry Perowne.
Perowne é um bem sucedido neuro-cirurgião londrino, com um casamento feliz, dois filhos notáveis – ela poetisa, ele músico e uma vida materialmente confortável. Nesse sábado acordou de madrugada e da janela avista um objecto incandescente em queda. Apercebe-se de que é um avião em direcção a Heathrow e a angústia assalta-o. Como se sentirão os passageiros? Que tragédias se desenrolarão a bordo? Será um acidente ou um atentado?
Quase como contraponto à existência segura e pacífica da personagem, num cenário pós-11 de Setembro, McEwan faz coincidir esse sábado com 15 de Fevereiro de 2003, o dia da grande manifestação em Londres pelo Não à guerra do Iraque. Os manifestantes, embora nunca apareçam, são o pano de fundo, quando, mais tarde nessa manhã, Perowne a caminho da sua partida semanal de squash sofre um pequeno acidente automóvel.
Ainda nesse dia, Perowne visitará a sua mãe demente na casa de saúde e, na volta a casa, à semelhança de Mrs. Dalloway, terá de comprar os ingredientes para o jantar que vai dar nessa noite. Uma ocasião especial para a reconciliação da sua filha, recém-chegada de Paris, com o sogro dele, também ele um poeta famoso.
Dois poetas no universo preciso e objectivo do médico. Um mundo estranho que Perowne se esforça por compreender mas a que não consegue aceder. McEwan aproveita para reflectir sobre o valor dos romances, da poesia num mundo caótico.
Perowne verá o seu dia ser abalado de forma trágica mas também isso servirá para fortalecer os laços de família e a convicção de que quando as pessoas se amam as divergências podem ser ultrapassadas. É claro que não vou aqui revelar mais pormenores da história.
A habilidade descritiva de McEwan, de uma precisão notável, é evidente em todo o livro. Da sequência de muitas páginas sobre o despique no squash, aos vários relatos minuciosos de intervenções cirúrgicas ao cérebro.
A narrativa, feita da perspectiva do cirurgião, é recheada de reflexões sobre a fragilidade da vida e complexidade neuro-química que condiciona o que somos.
Gostei do livro, gosto muito do autor, mas fiquei desiludida. Os principais pontos negativos é que nesta história é tudo demasiado certinho. Toda a família e existência de Perowne são perfeitos e bem sucedidos demais para serem credíveis. E depois a rocambolesca situação final não era necessária para dar força à ideia original. Acho-a excessiva.
Também estou ciente que estas minhas críticas são sobretudo porque estava à espera de mais do autor de “Expiação”. Quem leu este último com certeza perceberá.
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Extracto:
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“Um homem que tenta aliviar o sofrimento das mentes que falham reparando cérebros tem necessariamente de respeitar o mundo material, os seus limites e o que ele consegue aguentar – a consciência. O que já não é pouco. Para ele, é um artigo de fé, um facto que lhe é confirmado diariamente, que a mente é o que o cérebro, pura matéria, realiza. Se, por um lado, suscita admiração, por outro também suscita curiosidade; o desafio devia ser o real, e não o mágico. (...) o sobrenatural era o recurso de quem tinha uma imaginação insuficiente, uma incúria, uma fuga infantil às dificuldades e às maravilhas do real, à exigente recriação do plausível”.
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