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«Citações e Pensamentos de Bocage», 180 Citações, 75 Textos, 100 Sonetos, 239 Páginas.
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Não há nada que resista ao tempo. Como uma grande duna que se vai formando grão a grão, o esquecimento cobre tudo. Ainda há dias pensava nisto a propósito de não sei que afecto. Nisto de duas pessoas...
Orgulho, vaidade, despeito, rancor, tudo passa, se verdadeiramente o homem tem dentro de si um autêntico sonho de amor. Essas pequenas misérias são fatais apenas no começo, na puberdade, quando se ol...

Opinião de Leitura
A Insustentável Leveza do Ser A Insustentável Leveza do Ser Autor: Kundera, Milan Leitor: Paulo Neves da Silva
Opinião «A Insustentável Leveza do Ser» é um magnífico romance na medida em que explora em profundidade a ideia da incoerência das acções do ser humano baseada nas suas motivações mais obscuras mas verdadeiras, procurando uma explicação para o não sentido que a vida de cada um aparentemente tem independentemente das circunstâncias exteriores em que vive, numa clarividência convincente que mostra a rica e complexa teia de sentimentos única e intrínseca a cada pessoa, materializados nas personagens Tomás, um amante libertino que fica refém do amor possessivo de Teresa, a fraqueza revelada força, e nas personagens Sabina e Franz, uma mulher que trai por prazer e um homem que nunca consegue materializar os ideais que persegue.

Explorando mil e uma ideias num tom filosófico ou psicológico em torno dos comportamentos individuais e sociais de uma forma clara, objectiva, e muitas vezes metafórica, crítico acérrimo dos estereótipos que existem e que constantemente se geram na sociedade, e que desta forma reduzem toda a riqueza de uma vida ou da história de uma geração a dois ou três epítetos que ainda para mais falseiam o verdadeiro âmago dos mesmos, Kundera é bastante contundente na sua dissertação sobre a vulnerabilidade de interpretação das nossas acções como indivíduos ou como sociedade, e o elevado preço que muitas vezes fazemos pagar por meras questões de orgulho ou honra, outras vezes por meras inclinações obsessivas que são parte constituinte do ser de cada um na sua tentativa de harmonizar a alma e o corpo, em perspectivas muito diferentes que se reflectem na diversidade infinita da composição dos estados de espírito de cada um e consequentes motivações e acções.

Em busca da essência do amor que se mostra de tonalidades múltiplas mas todas genuínas, num festival de sentidos sem tabus assentes nas mais diversas fundamentações desde a saída de Adão do paraíso a uma filosofia do excremento como dúvida sobre a existência de Deus, o amor é revelado numa complexa arquitectura de assombrosas, muitas vezes estonteantes, mas riquíssimas expressões das mais básicas necessidades sentimentais de cada um e das insuficências das suas pungentes solidões.

O Homem visto como parasita da vaca na lucidez de um Nietzsche que se abraça a um cavalo (tomado como acto de loucura), a atitude moral do Homem posta em causa. Em termos políticos e sociais, enquadrado num clima de ocupação soviética na Checoslováquia, Kundera coloca a questão: será melhor gritar e ser perseguido até ao fim ou ficar em silêncio e ganhar uma morte lenta?
Excerto Todos nós temos necessidade de ser olhados. Podíamos ser divididos em quatro categorias consoante o tipo de olhar sob o qual desejamos viver. A primeira procura o olhar de um número infinito de olhos anónimos ou, por outras palavras, o olhar do público. É o caso do cantor alemão e da estrela americana, como é também o caso do jornalista de queixo de rabeca. Estava habituado aos seus leitores, e quando o semanário foi proibido pelos russos teve a impressão de ficar com a atmosfera cem vezes mais rarefeita. Para ele, ninguém podia substituir os olhos anónimos. Sentia-se quase a sufocar, até que um dia percebeu que a polícia lhe seguia todos os passos, que o seu telefone estava sob escuta e que chegava a ser discretamente fotografado na rua. De repente, tinha outra vez olhos anónimos a acompanharem-no: já podia voltar a respirar! Interpelava num tom teatral os microfones escondidos na parede. Voltava a encontrar na polícia o público que julgava ter perdido para sempre.
Na segunda categoria, incluem-se aqueles que não podem viver sem o olhar de uma multidão de olhos familiares. São os incansáveis organizadores de jantares e de cocktails. São mais felizes que os da primeira categoria porque, quando estes perdem o público, imaginam que as luzes se apagaram para sempre na sala da sua vida. É o que, mais dia menos dia, lhes acontece a todos. Marie-Claude e a filha são deste género.
Vem em seguida a terceira categoria, a categoria daqueles que precisam de estar sempre sob o olhar do ser amado. A sua condição é tão perigosa como a das pessoas do primeiro grupo. Se os olhos do ser amado se fecham, a sala fica mergulhada na escuridão. É neste tipo de pessoas que devemos incluir Tereza e Tomas.
Finalmente, há uma quarta categoria, bem mais rara, que são aqueles que vivem sob os olhares imaginários de seres ausentes. São os sonhadores. Por exemplo, Franz. Foi até à fronteira cambojana unicamente por causa de Sabina. Dentro do autocarro, que a estrada tailandesa faz baloiçar violentamente, só sente o seu longo olhar poisado em si.

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