Opinião de Leitura
A Morte e a Sorte A Morte e a Sorte

Autor: Santos, Fernando

Leitor: António Manuel Venda

Opinião

   É um livro de contos, cinco contos, com as paisagens, os cheiros, os sabores, e também os horrores, de um continente marcado pela tragédia, mas também pela magia e pela beleza. Fernando Fonseca Santos, membro da União dos Escritores Angolanos e advogado a exercer em Lisboa, reaparece nas livrarias, depois de quatro romances, com estas cinco «estórias» de morte. Sendo certo que a morte pode ter milhares de histórias, talvez estas sejam suficientes para que se saúde o regresso de um dos bons autores do espaço lusófono.
   O primeiro conto começa assim:
   «Era um menino que gostava do mato mais do que gostava de brincar com outros meninos.
   Para ele, fascinantes, eram as florestas que havia do outro lado do rio, as aves que viviam nas suas árvores copadas e os bichos que deixavam na terra os rastos que sabia seguir e que lia melhor que os livros em que os pais lhe ensinaram a ler.
   E o menino teve um amigo chamado Twakala, um caçador muchilengue que lhe ensinou os mistérios das matas e as encantadas magias que são também seus segredos e quando Twakala um dia partiu ele ficou sem ninguém para poder partilhar muitos outros segredos, mesmo o segredo em que se tornou o desgosto que depois aumentou por saber que Twakala não iria voltar dessa terra para onde o levaram.
   Com esse desgosto o menino cresceu.
   Sem Twakala as matas pareceram fechar-se envoltas em densos mistérios e assim correu algum tempo para o menino encontrar em utima a coragem que o fizesse passar da margem do rio que já era dos homens para as terras que ainda eram dos bichos.»

   [Texto retirado da página de António Manuel Venda, www.antoniomanuelvenda.com, Secção 'Crónicas - O Livro da Semana', 30.09.02 – 06.10.02]

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