Sophia de Mello Breyner Andresen

Portugal
6 Nov 1919 // 2 Jul 2004
Poeta

34 Citações

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Estou com mais atenção às coisas visíveis, às coisas concretas. Auando escrevo uma história começo-me a lembrar de sítios, de lugares, de casas, de caras, de coisas que aconteceram. Não construo teorias, não invento, vejo, lembro-me do que vi e do que vivi.

Entrevista ao JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, 25 de Junho a 1 de Julho de 1991
a literatura actual é uma literatura muito esvaziada, parece que as pessoas não têm nada para dizer. É rara uma história que seja realmente uma história, quer dizer: uma narração de actos com significado. Muitas vezes a história não tem sentido. Para mim a história faz parte da revelação do real. E uma história que faça parte desta revelação e da natureza das coisas, é rara. e eu penso que é por os escritores se desentranharem em análises e explicações, lerem muitas teorias.

Entrevista ao JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, 25 de Junho a 1 de Julho de 1991
Se as crianças aprendessem poemas de cor em pequenas, se fosse uma parte integrante do ensino e até, se elas tivessem de dizer um poema de cor para serem admitidas a qualquer universidade, as pessoas passavam a falar melhor. Porque falar é próprio de todas as pessoas, não é só do médico, do engenheiro e onde se aprende a falar realmente é na poesia.

Entrevista ao jornal Contemporâneo em 15 de Março de 1989
Eu tive muito a noção que escrever para crianças tem uma importância política muito grande. A sociedade ocidental está profundamente dividida em classes, não só classes económicas mas classes culturais e, enquanto o operário não tem preparação para ler o livro que lê o professor, o universitário ou uma pessoa que estudou, a criança pode ler o mesmo livro. Pode-se-lhe fazer um livro de iniciação, de abertura, não é?

Entrevista ao jornal Contemporâneo em 15 de Março de 1989
Eu às vezes penso como é que é possível que o Mundo seja tão mal governado. É tudo advogados e economistas, pessoas que têm uma noção muito parcial da realidade muito desencarnada...

Entrevista ao jornal Contemporâneo em 15 de Março de 1989
Eu nunca gostei de ser deputada, sempre achei que era uma coisa que não era para o meu género de trabalho, aquilo que eu poderia fazer. Custou-me horrorosamente, fez-me imenso mal à saúde. Eu sou muito irrequieta, sabe, quando escrevo ando de um lado para o outro, mexo-me, vou ao jardim, abro uma porta, vou buscar um livro. E estar ali sentada a ouvir falar, falar, falar, era uma agonia. Senti-me muito mal no Parlamento.

Entrevista ao jornal Contemporâneo em 15 de Março de 1989
Com o tempo perdem-se as coisas. Eu acho que isso acontece às mulheres e aos homens. Depois vamo-nos perdendo a nós próprios, já não se tem a mesma imagem, já não se tem a mesma ligeireza, já não se tem a mesma leveza, já não se tem...

Entrevista ao jornal Contemporâneo em 15 de Março de 1989
Sou muito angustiada com as coisas: a criança que se queima, que cai à piscina, que é atropelada, nas outras coisas tenho uma certa entrega, acho que Deus se justificará a si próprio, eu não consegui justificá-lo. Não consigo perceber porque razão há morte, sofrimento, o mal, as tentações, mas tenho consciência que talvez não tenha capacidade para isso. Eu também não tenho capacidade para compreender matemática, quanto mais... os desígnios de Deus.

Entrevista ao jornal Contemporâneo em 15 de Março de 1989
À noite há mais disponibilidade, eu escrevo mais à noite. Vivo mais de dia, escrevo à noite. Infelizmente deito-me tardíssimo embora não queira mas porque há sempre coisas que vão ficando. Depois também à noite há mais sossego não há telefone...

Entrevista ao jornal Contemporâneo em 15 de Março de 1989
De romances que a gente leu aos vinte e até achou óptimos, aos trinta já não gosta tanto, depois aos quarenta, aos cinquenta, já não os suporta.

Entrevista ao jornal Contemporâneo em 15 de Março de 1989
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