Explicações de Português

por: Miguel Esteves Cardoso
Portugal
n. 25 Jul 1955
Crítico/Escritor/Jornalista

47 Citações

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Uma lágrima enevoa, faz vir nuvens espessas ao céu dos olhos, e, de uma singela maneira, fecha-os ao que está lá fora e vira-os, com toda a beleza e intensidade, para o que está, por assim esclarecer, cá dentro de nós.
O sentido de humor dos Portugueses não tem graça nenhuma. Nunca é só para fazer rir. Visa sempre um objectivo. É apenas uma maneira diferente de dizer uma coisa.
O amor é preocupação. Ter o coração já previamente ocupado. Ter medo que alguma coisa de mal aconteça à pessoa amada. Sofrer mais por não poder aliviar o sofrimento da pessoa amada do que ela própria sofre.
Amar é amar, e pensar é pensar. Amar é mais raro. Pensar é menos difícil. Amar é ser alguém para alguém, sem que nos outros, e com os outros, ter de se deixar de poder pensar.
Ser amigo de alguém por causa das qualidades que tem é ter o coração como resultado de uma espécie de contabilidade. Não interessa a quem não é interesseiro, nem é oportuno a quem não for oportunista, pensar um amigo com o pensamento de quem arrola e afere defeitos e qualidades.
O sexo, como a vida, deveria ser o mais simples e amigável possível. Misturar as duas coisas, através dos palavrões, parece-me muito saudável. Deixá-los fechados atrás dos lençois e atrás das portas é condená-los a uma existência bafienta que não merecem.
Os Portugueses não gostam de falar de dicionários, porque têm uma noção pacóvia de que é prova de falta de cultura. Pensam ser melhor fingir que não precisam deles.
Em Portugal tudo o que há para o dia seguinte é feito de véspera.
Sós por tudo e por nada, os Portugueses são os únicos seres humanos que inventam solidões para sentir.
Os Portugueses não se sentem tristes, só quando acontece uma coisa que os entristeceu – também se sentem tristes quando não acontece uma coisa que os alegre.
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