Gaveta de Papéis

por: José Luís Peixoto
Portugal
n. 4 Set 1974
Escritor

6 Citações



Nunca dês demasiado a um poeta, arrepender-te-às. São sempre os últimos a encontrar estacionamento para o carro, mas quando chove não se molham, passam entre as gotas da chuva. Não por serem mágicos, ou serem magros, mas por serem parvos. A falta de sentido prático dos poetas não tem graça.
A disciplina está enterrada naquilo que não é medo, é força, e que nos protege, que nos protegemos a nós próprios.
Quando começo a anotar as minhas preocupações, tão importantes apenas para mim, já me esqueci de tudo: os segredos esconderam-se por trás de um muro.
Faço perguntas às minhas próprias dúvidas e lembro-me de um filme antigo quando percebo que não respondem: silêncio a preto e branco.
O meu corpo não quer mentir, e aquilo que não é o meu corpo, o tempo, sabe que tenho muitos poemas para escrever.
Quando me cansei de mentir a mim a mim próprio, comecei a escrever um livro de poesia.
 

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