António Vieira

Portugal
6 Fev 1608 // 18 Jul 1697
Padre/Escritor

23 Citações

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Os textos são da justiça, as interpretações podem ser da lisonja.
O tempo umas coisas melhora e outras corrompe.
Como temo que os que condenam as coisas novas sejam aqueles que não podem dizer senão as muito velhas, e pode ser que muito remendadas!
A mesma luz e a mesma candeia ao longe vê-se, ao perto alumeia.
Para ver com uma candeia, não basta só que a candeia esteja acesa, é necessário também que a distância seja proporcionada.
O ofício e obrigação dos poetas não é dizerem as coisas como foram, mas pintarem-nas como haviam de ser ou como era bem que fossem.
O avarento chama pródigo ao liberal; o covarde temerário ao valente; o distraído hipócrita ao modesto; e cada um condena o que não tem, por não confessar o que lhe falta.
Uns se conservam pelo que foram, outros pelo que são.
Quem busca o desengano tarde, não se desengana.
Ainda que seja muito segura, muito firme e muito bem fundada a esperança é um tormento esperar.
Assim como há esperanças que tardam, há esperanças que vêm. (...) As esperanças que tardam tiram a vida; as esperanças que vêm, não só não tiram a vida, mas acrescentam os dias e os alentos dela.
Quanto é mais eficaz e poderosa para mover os ânimos dos homens a esperança das coisas próprias, que a memória das alheias?
Nenhuma coisa se pode prometer à natureza humana mais conforme a seu maior apetite, nem mais superior a toda a sua capacidade, que a notícia dos tempos e sucessos futuros.
Tanto foi em todas as idades do mundo e tanto é hoje, na curiosidade humana, o apetite de conhecer o futuro!
Nem todos os futuros são para desejar, porque há muitos futuros para temer.
Maior a utilidade que podemos e devemos tirar do conhecimento das coisas futuras, que da notícia das passadas.
Foram muito menos os danos em que caíram os homens por lhes faltar a notícia do passado, que aqueles que cegamente se precipitaram pela ignorância do futuro.
A vida de um homem compõe-se de muitas idades, e o que acontece em qualquer destas idades se diz com toda a propriedade e verdade que acontece nos dias daquele homem.
Os que pela experiência do que têm visto crêem o que está prometido, vê-lo-ão, porque são dignos de o verem; os que não crêem, ou não querem crer, a sua mesma incredulidade será a sua sentença e já que o não creram, não o verão.
Não há coisa boa sem contradição, nem grande sem inveja.
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