António Vieira

Portugal
6 Fev 1608 // 18 Jul 1697
Padre/Escritor

60 Citações

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Mais arriscada foi sempre a boa que a má fama, porque as grandes prendas são muito ruidosas, e muitas vezes foi reclamo para o perigo mais certo o mais estrondoso ruído.
Os exemplos dos tempos passados costumam ser as regras e documentos para os presentes e futuros.
Os bens que mais nascem do ânimo que da fortuna, melhor se asseguram, porque aqueles guardam-se no peito, e estes cansam os ombros.
Obra-se mal não só quando se obra, nem só quando se aconselha, senão também quando se permite.
Os muros, como o cinto, não são muros enquanto se não fecham.

Paz

Como é necessária a vigilância na guerra, é também preciso maior cuidado na paz.

Paz

Sempre se deve antes escolher paz do que guerra, principalmente quando na guerra é tão certa a ruína.
Não é de heróis a vingança.
Do sábio é próprio mudar o parecer.
O não ter respeito a alguns, é procurar, como a morte, a universal destruição de todos.
Prudência é o saber acomodar, para melhor luzir e viver.
Quem só dá aos particulares, diminui o poder, porque se faz senhor de poucos.
As varas do poder, quando são muitas, elas mesmo se comem, como famintas sempre de maiores postos.
Brilhar com demasiado luzimento nas acções, mais estorva os aplausos do que os granjeia.
Uma das potências da alma é o entendimento, o qual nunca aumenta e cresce, senão quando já desfalece o corpo; amostra desta verdade é a experiência, pois nunca os homens se vêem mais avultados no entendimento, senão quando muito crescidos nos anos, e para se aumentar aquela potência da alma, parece que com os muitos anos necessariamente se hão-de desfazer as forças do corpo.
Aquele a quem convém mais do que é lícito, sempre quer mais do que convém.
Muito à pressa vive o que tudo quer lograr de uma só vez.
Não se há-de estar tão casado com o amor-próprio, que todos os partos do entendimento, por serem filhos próprios, pareçam formosos.
Os que cuidam que tudo sabem necessitam de mais advertências, porque erram mais torpemente; por isso necessitam de mais conselhos, porque presumem que de nada carecem, cegueira em que os mais advertidos tropeçam.
Tem o interesse olhos de multiplicar, ou as dignidades a que anela, ou as riquezas a que aspira, parecendo-lhe sempre mais do que são, porque estão inficcionados com o achaque da cobiça.
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