Charles Baudelaire

França
9 Abr 1821 // 31 Ago 1867
Poeta/Escritor/Crítico

A Beleza

De um sonho escultural tenho a beleza rara,
E o meu seio, — jardim onde cultivo a dor,
Faz despertar no Poeta um vivo e intenso amor,
Com a eterna mudez do marmor' de Carrara

Sou esfinge subtil no Azul a dominar,
Da brancura do cisne e com a neve fria;
Detesto o movimento, e estremeço a harmonia;
Nunca soube o que é rir, nem sei o que é chorar.

O Poeta, se me vê nas atitudes fátuas
Que pareço copiar das mais nobres estátuas,
Consome noite e dia em estudos ingentes..

Tenho, p'ra fascinar o meu dócil amante,
Espelhos de cristal, que tornaram deslumbrante
A própria imperfeição: — os meus olhos ardentes!

Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"
Tradução de Delfim Guimarães
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A Música

A música p'ra mim tem seduções de oceano!/ Quantas vezes procuro navegar,/ Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano,/ Minha pálida estrela a demandar!/ / O peito saliente, os pulmões distendidos/...

Spleen

Quando o cinzento céu, como pesada tampa,/ Carrega sobre nós, e nossa alma atormenta,/ E a sua fria cor sobre a terra se estampa,/ O dia transformado em noite pardacenta;/ / Quando se muda a terra em...

O Homem e o Mar

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