João de Deus

Portugal
8 Mar 1830 // 11 Jan 1896
Poeta/Pedagogo

A Caridade

Eu podia falar todas as línguas
             Dos homens e dos anjos;
Logo que não tivesse caridade,
Já não passava de um metal que tine,
             De um sino vão que soa.

Podia ter o dom da profecia,
             Saber o mais possível,
Ter fé capaz de transportar montanhas;
Logo que eu não tivesse caridade,
             Já não valia nada!

Eu podia gastar toda afortuna
             A bem dos miseráveis,
Deixar que me arrojassem vivo às chamas;
Logo que eu não tivesse caridade,
             De nada me servia!

    A caridade é dócil, é benévola,
             Nunca foi invejosa,
    Nunca procede temerariamente,
             Nunca se ensoberbece!

    Não é ambiciosa; não trabalha
    Em seu proveito próprio; não se irrita;
             Nunca suspeita mal!

    Nunca folgou de ver uma injustiça;
             Folga com a verdade!

    Tolera tudo! Tudo crê e espera!
             Em suma tudo sofre!

João de Deus, in 'Campo de Flores'
// Consultar versos e eventuais rimas




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