António Gomes Leal

Portugal
6 Jun 1848 // 29 Jan 1921
Poeta/Crítico Literário

A Visita

Hontem dormia à noute - e, eis que desperto
Sacudido d'um vento agudo e forte,
Como um homem tocado pela Morte,
Ou varrido d'um vento do deserto.

Accordei - era Deus, que de mim perto,
Me dizia: Alma sceptica e sem norte!
É preciso que creias e te importe
Adorar o Deus Uno, Eterno, e Certo!

É preciso que a fé cresça em tua alma
Como no inutil saibro a verde palma,
Verme! filho da Duvida--Eis-me aqui!

Eu sou a Espada o Antigo, o Omnipotente!
Crê barro vil! - Mas eu, descortezmente,
Voltei-me do outro lado e adormeci.

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'

// Consultar versos e eventuais rimas




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Carta ao Mar

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Tristissima

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Miseria Occulta

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