Abílio de Guerra Junqueiro

Portugal
15 Set 1850 // 7 Jul 1923
Escritor/Poeta/Jornalista/Político

21 Poemas

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Morena (1)

Não negues, confessa/ Que tens certa pena/ Que as mais raparigas/ Te chamem morena./ / Pois eu não gostava,/ Parece-me a mim,/ De ver o teu rosto/ Da cor do jasmim./ / Eu não... mas enfim/ É fraca a ...

Regresso ao Lar (2)

Ai, há quantos anos que eu parti chorando / deste meu saudoso, carinhoso lar!... / Foi há vinte?... Há trinta?... Nem eu sei já quando!... / Minha velha ama, que me estás fitando, / canta-me cantigas...

A Minha Filha (3)

(Vendo-a dormir)/ / Que alma intacta e delicada!/ Que argila pura e mimosa!/ É a estrela d'alvorada/ Dentro dum botão de rosa!/ / E, enquanto dormes tranquila,/ Vejo o divino esplendor/ Da alma a sai...

Minha Mãe, Minha Mãe! (4)

Minha mãe, minha mãe! ai que saudade imensa,/ Do tempo em que ajoelhava, orando, ao pé de ti./ Caía mansa a noite; e andorinhas aos pares/ Cruzavam-se voando em torno dos seus lares,/ Suspensos do be...

Portugal (5)

Maior do que nós, simples mortais, este gigante / foi da glória dum povo o semideus radiante. / Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado, / seu torrão dilatou, inóspito montado, / numa pátria... E que ...

Vendo-a Sorrir (6)

(A minha filha)/ / Filha, quando sorris, iluminas a casa/ Dum celeste esplendor./ A alegria é na infância o que na ave é asa/ E perfume na flor./ / Ó doirada alegria, ó virgindade...

A Escola Portuguesa (7)

Eis as crianças vermelhas/ Na sua hedionda prisão:/ Doirado enxame de abelhas!/ O mestre-escola é o zangão./ / Em duros bancos de pinho/ Senta-se a turba sonora/ Dos corpos feitos de arminho,/ Das al...

Adoração (8)

Eu não te tenho amor simplesmente. A paixão / Em mim não é amor; filha, é adoração! / Nem se fala em voz baixa à imagem que se adora. / Quando da minha noite eu te contemplo, aurora, / E, estrela da ...

Evolução (9)

Arde o corpo do sol, brotam feixes de luz:/ O que é a luz?/ Sol que morreu./ / Dardeja a luz, dardeja e pulveriza a fraga:/ Vai nesse pó, que há-de ser terra,/ A luz extinta./ / Gerou a terra a seara...

Recordam-se Vocês do Bom Tempo d'Outrora (10)

(Dedicatória de introdução a «A Musa em Férias»)/ / Recordam-se vocês do bom tempo d'outrora,/ Dum tempo que passou e que não volta mais,/ Quando íamos a rir pela existência fora/ Alegres como em Jun...

O Teu Aniversário (11)

Pediste-me sorrindo, ó minha flor gentil,/ Uns versos às tuas vinte alvoradas de Abril./ Vinte anos já!... não creio, estás equivocada.../ Enganas-te. Eu irei perguntar à alvorada/ Quantas vezes pous...

Elegia (12)

A alegria da vida, essa alegria d'oiro/ A pouco e pouco em mim vai-se extinguindo, vai.../ Melros alegres de bico loiro,/ Ó melros negros, cantai, cantai!/ / Ando lívido, arrasto ...

O Amor (13)

I/ / Eu nunca naveguei, pieguíssimo argonauta/ Dans les fleuves du tendre, onde há naufrágios bons, / Conduzindo Florian na tolda a tocar frauta,/ E cupidinhos d'oiro a tasquinhar bombons

O Primeiro Filho (14)

(Carta ao amigo Bernardo Pindela)/ / Entre tanta miséria e tantas coisas vis/ Deste vil grão de areia,/ Ainda tenho o condão de me sentir feliz/ Com a ventura alheia./ / À minha n...

Canção de Batalha (15)

Que durmam, muito embora, os pálidos amantes,/ Que andaram contemplando a Lua branca e fria.../ Levantai-vos, heróis, e despertai, gigantes!/ Já canta pelo azul sereno a cotovia/ E já rasga o arado a...

Carta (a um Amigo que me Pediu Versos) (16)

Como hei-de ser um Petrarca,/ Cantar como um rouxinol,/ Se o meu termómetro marca/ Quarenta e dois graus ao sol!/ / Da lira bárbara e tosca/ Nem saem trovas d'Alfama./ Enxota o Pégaso a mosca,/ E eu ...

Carta a F. (17)

És tu quem me conduz, és tu quem me alumia, / Para mim não desponta a aurora, não é dia, / Se não vejo os dois sóis azuis do teu olhar. / Deixei-te há pouco mais dum mês, – mês secular / E nessa noit...

A. L. (18)

Não és a flor olímpica e serena/ Que eu vejo em sonhos na amplidão distante;/ Não tens as formas ideais de Helena,/ As formas da beleza triunfante;/ / Não és também a mística açucena,/ A alva e pura ...

Ruínas (19)

I/ / E é triste ver assim ir desfolhando,/ Vê-las levadas na amplidão do ar,/ As ilusões que andámos levantando/ Sobre o peito das mães, o eterno altar./ / Nem sabe a gente já como, nem quando,/ Há-d...

Em Viagem (20)

Desde aquela dor tamanha / Do momento em que parti / Um só prazer me acompanha, / Filha, o de pensar em ti:/ / Por sobre a negra paisagem / Do meu ermo coração / O luar branco da tua imagem / Veste u...
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