Alberto Caeiro
(Heterónimo de Fernando Pessoa)

Portugal
n. 16 Abr 1889
Poeta

116 Poemas

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A Mentira Está em Ti (11)

Olá, guardador de rebanhos,/ Aí à beira da estrada,/ Que te diz o vento que passa? / / Que é vento, e que passa,/ E que já passou antes,/ E que passará depois./ E a ti o que te diz? / / Muita cous...

A Tua Beleza para Mim Está em Existires (12)

Última estrela a desaparecer antes do dia,/ Pouso no teu trêmulo azular branco os meus olhos calmos,/ E vejo-te independentemente de mim;/ Alegre pelo critério (?) que tenho em Poder ver-te/ Sem est...

É Preciso Também não Ter Filosofia Nenhuma (13)

Não basta abrir a janela/ Para ver os campos e o rio./ Não é bastante não ser cego/ Para ver as árvores e as flores./ É preciso também não ter filosofia nenhuma./ Com filosofia não há árvores: há idé...

Um Dia de Chuva (14)

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol./ Ambos existem; cada um como é./ / Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos / Heterónimo de Fernando Pessoa...

Para Além da Curva da Estrada (15)

Para além da curva da estrada/ Talvez haja um poço, e talvez um castelo,/ E talvez apenas a continuação da estrada./ Não sei nem pergunto./ Enquanto vou na estrada antes da curva/ Só olho para a estr...

Se Eu Pudesse Trincar a Terra Toda (16)

Se eu pudesse trincar a terra toda/ E sentir-lhe um paladar,/ Seria mais feliz um momento .../ Mas eu nem sempre quero ser feliz./ É preciso ser de vez em quando infeliz/ Para se poder ser natural......

Quando Está Frio no Tempo do Frio (17)

Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,/ Porque para o meu ser adequado à existência das cousas/ O natural é o agradável só por ser natural./ / Aceito as dificuldad...

Quando Eu não te Tinha (18)

Quando eu não te tinha/ Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo./ Agora amo a Natureza/ Como um monge calmo à Virgem Maria,/ Religiosamente, a meu modo, como dantes,/ Mas de outra maneira mais ...

Pelo Tejo Vai-se para o Mundo (19)

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,/ Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia./ O Tejo tem grandes...

Dizem que em cada Coisa uma Coisa Oculta Mora (20)

Dizem que em cada coisa uma coisa oculta mora./ Sim, é ela própria, a coisa sem ser oculta,/ Que mora nela./ / Mas eu, com consciência e sensações e pensamento,/ Serei como uma coisa?/ Que há a mais ...
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