Alberto Raposo Pidwell Tavares

Portugal
11 Jan 1948 // 13 Jun 1997
Escritor

11 Poemas



Foram Breves e Medonhas as Noites de Amor (1)

foram breves e medonhas as noites de amor/ e regressar do âmago delas esfiapava-lhe o corpo/ habitado ainda por flutuantes mãos/ / estava nu/ sem água e sem luz que lhe mostrasse como era/ ou como po...

Os Amigos (2)

no regresso encontrei aqueles/ que haviam estendido o sedento corpo/ sobre infindáveis areias/ / tinham os gestos lentos das feras amansadas/ e o mar iluminava-lhes as máscaras/ esculpidas pelo dedo ...

Pernoitas em Mim (3)

pernoitas em mim/ e se por acaso te toco a memória... amas/ ou finges morrer/ / pressinto o aroma luminoso dos fogos/ escuto o rumor da terra molhada/ a fala queimada das estrelas/ / é noite ainda/ o...

Visita-me Enquanto não Envelheço (4)

visita-me enquanto não envelheço/ toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me/ com teu rosto de Modigliani suicidado/ / tenho uma varanda ampla cheia de malvas / e o marulhar das noites povoad...

Ofício de Amar (5)

já não necessito de ti/ tenho a companhia nocturna dos animais e a peste/ tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras/ [galáxias, e / ...

Cromo (6)

andamos pelo mundo/ experimentando a morte/ dos brancos cabelos das palavras/ atravessamos a vida com o nome do medo/ e o consolo dalgum vinho que nos sustém/ a urgência de escrever/ não se sabe para...

Corpo (7)

corpo/ que te seja leve o peso das estrelas/ e de tua boca irrompa a inocência nua/ dum lírio cujo caule se estende e/ ramifica para lá dos alicerces da casa/ / abre a janela debruça-te/ deixa que o ...

Se um Dia a Juventude Voltasse (8)

se um dia a juventude voltasse/ na pele das serpentes atravessaria toda a memória/ com a língua em teus cabelos dormiria no sossego/ da noite transformada em pássaro de lume cortante/ como a navalha ...

Mais Nada se Move em Cima do Papel (9)

mais nada se move em cima do papel/ nenhum olho de tinta iridescente pressagia/ o destino deste corpo/ / os dedos cintilam no húmus da terra/ e eu/ indiferente à sonolência da língua/ ouço o eco do a...

Rumor dos Fogos (10)

hoje à noite avistei sobre a folha de papel/ o dragão em celulóide da infância/ escuro como o interior polposo das cerejas/ antigo como a insónia dos meus trinta e cinco anos.../ / dantes eu consegui...

A Invisibilidade de Deus (11)

dizem que em sua boca se realiza a flor/ outros afirmam:/ a sua invisibilidade é aparente/ mas nunca toquei deus nesta escama de peixe/ onde podemos compreender todos os oc...


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