Almeida Garrett

Portugal
4 Fev 1799 // 9 Dez 1854
Escritor/Dramaturgo/Orador

24 Poemas

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Não te Amo (1)

Não te amo, quero-te: o amar vem d’alma./ E eu n’alma - tenho a calma,/ A calma - do jazigo./ Ai! não te amo, não./ / Não te amo, quero-te: o amor é vida./ E a vida - nem sent...

Este Inferno de Amar (2)

Este inferno de amar - como eu amo! -/ Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi?/ Esta chama que alenta e consome,/ Que é a vida - e que a vida destrói -/ Como é que se veio a atear,/ Quando - ai quando s...

Seus Olhos (3)

Seus olhos - que eu sei pintar/ O que os meus olhos cegou –/ Não tinham luz de brilhar,/ Era chama de queimar;/ E o fogo que a ateou/ Vivaz, eterno, divino,/ Como facho do Destino./ / Divino, eterno!...

Quando Eu Sonhava (4)

Quando eu sonhava, era assim/ Que nos meus sonhos a via;/ E era assim que me fugia,/ Apenas eu despertava,/ Essa imagem fugidia/ Que nunca pude alcançar./ Agora, que estou desperto,/ Agora a vejo fix...

A um Amigo (5)

Fiel ao costume antigo,/ Trago ao meu jovem amigo/ Versos próprios deste dia./ E que de os ver tão singelos,/ Tão simples como eu, não ria:/ Qualquer os fará mais belos,/ Ninguém tão d’alma os faria....

Anjo És (6)

Anjo és tu, que esse poder/ Jamais o teve mulher,/ Jamais o há-de ter em mim./ Anjo és, que me domina/ Teu ser o meu ser sem fim;/ Minha razão insolente/ Ao teu capricho se inclina,/ E minha alma for...

Não És Tu (7)

Era assim, tinha esse olhar,/ A mesma graça, o mesmo ar,/ Corava da mesma cor,/ Aquela visão que eu vi/ Quando eu sonhava de amor,/ Quando em sonhos me perdi./ / Toda assim; o porte altivo,/ O sembla...

Destino (8)

Quem disse à estrela o caminho/ Que ela há-de seguir no céu?/ A fabricar o seu ninho/ Como é que a ave aprendeu?/ Quem diz à planta «Florece!»/ E ao mudo verme que tece/ Sua mortalha de seda/ Os fios...

Os Cinco Sentidos (9)

São belas - bem o sei, essas estrelas,/ Mil cores - divinais têm essas flores;/ Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:/ Em toda a natureza/ Não vejo outra beleza/ Senão a ti - a t...

Ai, Helena! (10)

Ai, Helena!, de amante e de esposo/ Já o nome te faz suspirar,/ Já tua alma singela pressente/ Esse fogo de amor delicioso/ Que primeiro nos faz palpitar! .../ Oh!, não vás, donzelinha inocente,/ Não...

Beleza (11)

Vem do amor a Beleza,/ Como a luz vem da chama./ É lei da natureza:/ Queres ser bela? - ama./ / Formas de encantar,/ Na tela o pincel/ As pode pintar;/ No bronze o buril/ As sabe gravar;/ E estátua g...

Rosa sem Espinhos (12)

Para todos tens carinhos,/ A ninguém mostras rigor!/ Que rosa és tu sem espinhos?/ Ai, que não te entendo, flor!/ / Se a borboleta vaidosa/ A desdém te vai beijar,/ O mais que lhe fazes, rosa,/ É sor...

Estes Sítios! (13)

Olha bem estes sítios queridos,/ Vê-os bem neste olhar derradeiro.../ Ai! o negro dos montes erguidos,/ Ai! o verde do triste pinheiro!/ Que saudade que deles teremos.../ Que saudade! ai, amor, que s...

Gozo e Dor (14)

Se estou contente, querida,/ Com esta imensa ternura/ De que me enche o teu amor?/ - Não. Ai não; falta-me a vida;/ Sucumbe-me a alma à ventura:/ O excesso de gozo é dor./ / Dói-me a alma, sim; e a t...

Bela D'Amor (15)

Pois essa luz cintilante/ Que brilha no teu semblante/ Donde lhe vem o ‘splendor?/ Não sentes no peito a chama/ Que aos meus suspiros se inflama/ E toda reluz de amor?/ / Pois a celeste fragrância/ Q...

Perfume da Rosa (16)

Quem bebe, rosa, o perfume/ Que de teu seio respira?/ Um anjo, um silfo? ou que nume/ Com esse aroma delira?/ / Qual é o deus que, namorado,/ De seu trono te ajoelha,/ E esse néctar encantado/ Bebe o...

Adeus! (17)

Adeus! para sempre adeus!/ Vai-te, oh! vai-te, que nesta hora/ Sinto a justiça dos céus/ Esmagar-me a alma que chora./ Choro porque não te amei,/ Choro o amor que me tiveste;/ O que eu perco, bem no ...

O Album (18)

Minha Júlia, um conselho de amigo;/ Deixa em branco este livro gentil:/ Uma só das memórias da vida/ Vale a pena guardar, entre mil./ / E essa n’alma em silêncio gravada/ Pelas mãos do mistério há-de...

Ignoto Deo (19)

D. D. D./ / Creio em Ti, Deus; a fé viva/ De minha alma a Ti se eleva./ És: - o que és não sei. Deriva/ Meu ser do Teu: luz... e treva,/ Em que - indistintas! - se envolve/ Este espírito agitado,/ De...

Víbora (20)

Como a víbora gerado,/ No coração se formou/ Este amor amaldiçoado/ Que à nascença o espedaçou./ / Para ele nascer morri;/ E em meu cadáver nutrido,/ Foi a vida que eu perdi/ A vida que tem vivido./ ...
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É Preciso Viver-se com Paixão

A paixão é o mote, a ausência dela é a morte. A paixão é o sentido e os sentidos, a ausência dela é o inadmitido e os proibidos. A paixão é, a ausência dela não. Já te questionaste, por exemplo, sobr...

A Vida é uma Montanha Russa

A vida não é uma linha reta em que alguém conquistado ou algo adquirido é uma segurança para todo o sempre; a vida é uma montanha russa e, de vez em quando, sim, é preciso ficares de pernas para o ar...
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