Antero de Quental

Portugal
1842 // 1891
Poeta/Filósofo/Político

91 Poemas

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Só! — Ao Ermita Sósinho na Montanha (1)

Só! — Ao ermita sósinho na montanha/ Visita-o Deus e dá-lhe confiança:/ No mar, o nauta, que o tufão balança,/ Espera um sopro amigo que o céo tenha.../ / Só! — Mas quem se assentou em riba estranha,...

Na Mão de Deus (2)

Na mão de Deus, na sua mão direita,/ Descansou afinal meu coração./ Do palácio encantado da Ilusão/ Desci a passo e passo a escada estreita./ / Como as flores mortais, com que se enfeita/ A ignorânci...

Evolução (3)

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo/ tronco ou ramo na incógnita floresta.../ Onda, espumei, quebrando-me na aresta/ Do granito, antiquíssimo inimigo.../ / Rugi, fera talvez, buscando abrigo/ N...

Nirvana (4)

Viver assim: sem ciúmes, sem saudades,/ Sem amor, sem anseios, sem carinhos,/ Livre de angústias e felicidades,/ Deixando pelo chão rosas e espinhos;/ / Poder viver em todas as idades;/ Poder andar p...

Com os Mortos (5)

Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,/ arrastados no giro dos tufões,/ Levados, como em sonho, entre visões,/ Na fuga, no ruir dos universos.../ / E eu mesmo, com os pés também imersos/ Na corren...

O Palácio da Ventura (6)

Sonho que sou um cavaleiro andante./ Por desertos, por sóis, por noite escura,/ Paladino do amor, busco anelante/ O palácio encantado da Ventura!/ / Mas já desmaio, exausto e vacilante,/ Quebrada a e...

Voz Interior (7)

(A João de Deus)/ / Embebido n'um sonho doloroso,/ Que atravessam fantásticos clarões,/ Tropeçando n'um povo de visões,/ Se agita meu pensar tumultuoso.../ / Com um bramir de mar tempestuoso/ Que até...

Mea Culpa (8)

Não duvido que o mundo no seu eixo/ Gire suspenso e volva em harmonia;/ Que o homem suba e vá da noite ao dia,/ E o homem vá subindo insecto o seixo./ / Não chamo a Deus tirano, nem me queixo,/ Nem c...

Divina Comédia (9)

Erguendo os braços para o céu distante/ E apostrofando os deuses invisíveis,/ Os homens clamam: — «Deuses impassíveis,/ A quem serve o destino triunfante,/ / Porque é que nos criastes?! Incessante/ C...

Logos (10)

Tu, que eu não vejo, e estás ao pé de mim/ E, o que é mais, dentro de mim — que me rodeias/ Com um nimbo de afectos e de idéias,/ Que são o meu princípio, meio e fim.../ / Que estranho ser és tu (se ...

Oceano Nox (11)

Junto do mar, que erguia gravemente/ A trágica voz rouca, enquanto o vento/ Passava como o vôo do pensamento/ Que busca e hesita, inquieto e intermitente,/ / Junto do mar sentei-me tristemente,/ Olha...

Contemplação (12)

Sonho de olhos abertos, caminhando/ Não entre as formas já e as aparências,/ Mas vendo a face imóvel das essências,/ Entre idéias e espíritos pairando.../ / Que é o mundo ante mim? fumo ondeando,/ Vi...

À Virgem Santíssima (13)

Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia/ / N'um sonho todo feito de incerteza,/ De nocturna e indizível ansiedade,/ É que eu vi teu olhar de piedade/ E (mais que piedade) de tristeza.../ / Não era...

Ideal (14)

Aquela, que eu adoro, não é feita/ De lírios nem de rosas purpurinas,/ Não tem as formas languidas, divinas/ Da antiga Vénus de cintura estreita.../ / Não é a Circe, cuja mão suspeita/ Compõe filtros...

Solemnia Verba (15)

Disse ao meu coração: Olha por quantos/ Caminhos vãos andámos! Considera/ Agora, desta altura, fria e austera,/ Os ermos que regaram nossos prantos.../ / Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!/ E a...

Visão (16)

(A J. M. Eça de Queiroz)/ / Eu vi o Amor — mas nos seus olhos baços/ Nada sorria já: só fixo e lento/ Morava agora ali um pensamento/ De dor sem trégua e de íntimos cansaços./ / Pairava, como espectr...

No Circo (17)

(A João de Deus)/ / Muito longe d'aqui, nem eu sei quando,/ Nem onde era esse mundo, em que eu vivia.../ Mas tão longe... que até dizer podia/ Que enquanto lá andei, andei sonhando.../ / Porque era t...

Mãe... (18)

Mãe — que adormente este viver dorido,/ E me vele esta noite de tal frio,/ E com as mãos piedosas ate o fio/ Do meu pobre existir, meio partido.../ / Que me leve consigo, adormecido,/ Ao passar pelo ...

A um Poeta (19)

Tu que dormes, espírito sereno,/ Posto à sombra dos cedros seculares,/ Como um levita à sombra dos altares,/ Longe da luta e do fragor terreno./ / Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno/ Afugentou a...

Luta (20)

Fluxo e refluxo eterno.../ João de Deus./ / Dorme a noite encostada nas colinas./ Como um sonho de paz e esquecimento/ Desponta a lua. Adormeceu o vento,/ Adormeceram vales e campinas.../ / Mas a mim...
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