Antero de Quental

Portugal
18 Abr 1842 // 11 Set 1891
Poeta/Filósofo/Político

91 Poemas

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Divina Comédia (11)

Erguendo os braços para o céu distante/ E apostrofando os deuses invisíveis,/ Os homens clamam: — «Deuses impassíveis,/ A quem serve o destino triunfante,/ / Porque é que nos criastes?! Incessante/ C...

Mea Culpa (12)

Não duvido que o mundo no seu eixo/ Gire suspenso e volva em harmonia;/ Que o homem suba e vá da noite ao dia,/ E o homem vá subindo insecto o seixo./ / Não chamo a Deus tirano, nem me queixo,/ Nem c...

Logos (13)

Tu, que eu não vejo, e estás ao pé de mim/ E, o que é mais, dentro de mim — que me rodeias/ Com um nimbo de afectos e de idéias,/ Que são o meu princípio, meio e fim.../ / Que estranho ser és tu (se ...

No Circo (14)

(A João de Deus)/ / Muito longe d'aqui, nem eu sei quando,/ Nem onde era esse mundo, em que eu vivia.../ Mas tão longe... que até dizer podia/ Que enquanto lá andei, andei sonhando.../ / Porque era t...

Solemnia Verba (15)

Disse ao meu coração: Olha por quantos/ Caminhos vãos andámos! Considera/ Agora, desta altura, fria e austera,/ Os ermos que regaram nossos prantos.../ / Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!/ E a...

Contemplação (16)

Sonho de olhos abertos, caminhando/ Não entre as formas já e as aparências,/ Mas vendo a face imóvel das essências,/ Entre idéias e espíritos pairando.../ / Que é o mundo ante mim? fumo ondeando,/ Vi...

Mãe... (17)

Mãe — que adormente este viver dorido,/ E me vele esta noite de tal frio,/ E com as mãos piedosas ate o fio/ Do meu pobre existir, meio partido.../ / Que me leve consigo, adormecido,/ Ao passar pelo ...

A um Poeta (18)

Tu que dormes, espírito sereno,/ Posto à sombra dos cedros seculares,/ Como um levita à sombra dos altares,/ Longe da luta e do fragor terreno./ / Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno/ Afugentou a...

Amor Vivo (19)

Amar! mas d'um amor que tenha vida.../ Não sejam sempre tímidos harpejos,/ Não sejam só delirios e desejos/ D'uma douda cabeça escandecida.../ / Amor que vive e brilhe! luz fundida/ Que penetre o meu...

Visão (20)

(A J. M. Eça de Queiroz)/ / Eu vi o Amor — mas nos seus olhos baços/ Nada sorria já: só fixo e lento/ Morava agora ali um pensamento/ De dor sem trégua e de íntimos cansaços./ / Pairava, como espectr...
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