António Feijó

Portugal
1 Jun 1859 // 20 Jun 1917
Poeta/Diplomata

11 Poemas



O Amor e o Tempo (1)

Pela montanha alcantilada/ Todos quatro em alegre companhia,/ O Amor, o Tempo, a minha Amada/ E eu subíamos um dia./ / Da minha Amada no gentil semblante/ Já se viam indícios de cansaço;/ O Amor pass...

Hino à Solidão (2)

Diz-se que a solidão torna a vida um deserto;/ Mas quem sabe viver com a sua alma nunca/ Se encontra só; a Alma é um mundo, um mundo/ [...

Eu e Tu (3)

Dois! Eu e Tu, num ser indispensável! Como/ Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia,/ Aspiram a formar um todo, — em cada assomo/ A nossa aspiração mais violenta se ateia.../ / Como a onda e ...

Hino à Alegria (4)

Tenho-a visto passar, cantando, à minha porta,/ E às vezes, bruscamente, invadir o meu lar,/ Sentar-se à minha mesa, e a sorrir, meia morta,/ Deitar-se no meu leito e o meu sono embalar./ / Tumultuos...

Hino à Morte (5)

Tenho às vezes sentido o chocar dos teus ossos/ E o vento da tua asa os meus lábios roçar;/ Mas da tua presença o rasto de destroços/ Nunca de susto fez meu coração parar./ / Nunca, espanto ou receio...

A Cidade do Sonho (6)

Sofres e choras? Vem comigo! Vou mostrar-te/ O caminho que leva à Cidade do Sonho.../ De tão alta que está, vê-se de toda a parte,/ Mas o íngreme trajecto é florido e risonho./ / Vai por entre rosais...

Hino à Dor (7)

Sorri com mais doçura a boca de quem sofre,/ Embora amargue o fel que os seus lábios beberam;/ É mais ardente o olhar onde, como um aljofre,/ A Dor se condensou e as lágrimas correram./ / Soa, como s...

O Livro da Vida (8)

Absorto, o Sábio antigo, estranho a tudo, lia.../ — Lia o «Livro da Vida» — herança inesperada,/ Que ao nascer encontrou, quando os olhos abria/ Ao primeiro clarão da primeira alvorada./ / Perto dele...

A Armadura (9)

Desenganos, traições, combates, sofrimentos,/ Numa vida já longa acumulados, vão/ — Como sobre um paul contínuos sedimentos,/ Pouco a pouco envolvendo em cinza o coração./ / E a cinza com o tempo ati...

Hino à Beleza (10)

Onde quer que o fulgor da tua glória apareça,/ — Obra de génio, flor de heroísmo ou santidade, —/ Da Gioconda imortal na radiosa cabeça,/ Num acto de grandeza augusta ou de bondade,/ / — Como um pagã...

Noite de Natal (11)

[A um pequenito, vendedor de jornais]/ / Bairro elegante, – e que miséria!/ Roto e faminto, à luz sidéria,/ O pequenito adormeceu.../ / Morto de frio e de cansaço,/ As mãos no seio, erguido o braço/ ...


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