António Gomes Leal

Portugal
6 Jun 1848 // 29 Jan 1921
Poeta/Crítico Literário

32 Poemas

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Idylio d'Aldeia (21)

Não sei que ha que me impelle/ Para o teu escuro olhar!.../ É mais branca a tua pelle,/ Do que o linho de fiar!/ / É tua boca um botão,/ E o teu riso a lua nova; -/ Quem me dera ter na cova/ Os ais d...

A Lanterna (22)

O sabio antigo andou pelas ruas d'Athenas,/ Com a lanterna accesa, errante, à luz do dia,/ Buscando o varão forte e justo da Utopia,/ Privado de paixões e d'emoções terrenas./ / Eu tambem que aborreç...

Madrigal Excentrico (23)

Tu que não temes a Morte,/ Nem a sombra dos cyprestes,/ Escuta, Lyrio do Norte,/ Os meus canticos agrestes:/ / ........................................../ ........................................../ ...

Aquelle Sabio (24)

N'aquellas altas janellas/ Que deitam para o telhado;/ Eu vejo-o sempre encostado,/ A namorar as estrellas./ / Tem assim ares d'empyrico/ Mui lido em philosophástros;/ É um pobre poeta lyrico,/ Que e...

As Cathedraes (25)

Como vos amo ver ó cathedraes sosinhas,/ A recortar o azul das noutes constelladas!/ Erguidos corucheus, mysticas andorinhas,/ - Ó grandes cathedraes do sol ensanguentadas!/ / Como vos amo ver, pomba...

Aos Vencidos (26)

Quando é que emfim virá o claro dia,/ - O dia glorioso e suspirado! -/ Que não corra mais sangue, esperdiçado/ Á luz do Sol que os mundos alumia?! -/ / Que os vencidos não vejam a agonia/ Do seu tect...

Os Pastores (27)

Guardavam certos pastores/ seus rebanhos, ao relento,/ sobre os céus consoladores/ pondo a vista e o pensamento./ / Quando viram que descia,/ cheio de glória fulgente,/ um anjo do céu do Oriente,/ qu...

Em Viagem (28)

Ia o vapôr singrando velozmente/ O verde mar antígo e caprixoso,/ Á rude voz do capitão Contente, -/ Um rubro homem do mar silencioso./ / Demandava a Madeira, - a ilha bella,/ A patria excelsa e cele...

O Doente Romantico (29)

Eu sei que morrerei, discreta amante,/ Antes do inverno vir; mas, lentamente,/ Quero morrer á tua luz radiante,/ Como os tisicos á luz do sol poente!/ / Sou romantico assim! O tempo ardente/ Das chim...

Aquella Orgia (30)

Nós eramos uns dez ou onze convidados,/ - Todos buscando o gozo e achando o abatimento,/ E todos afinal vencidos e quebrados/ No combate da Vida inutil e incruento./ / Tocava o termo a ceia - e ia su...

Na Cabeceira d'um Leito (31)

Quando as tuas mãos inermes/ Forem em cruz sobre o peito,/ E que te roam os vermes/ Ó corpo branco e perfeito!/ / E sejas cheia de terra/ Boca cheia de risadas,/ Chora este amor que me aterra.../ Pel...

Soneto D'Um Poeta Morto (32)

Bem sei que hei de morrer cedo e cansado,/ Alguma cousa triste em mim o diz,/ E vagarei no mundo desterrado,/ Como Dante chorando a Beatriz./ / Pelos reinos, irei talvez curvado,/ Como um proscripto ...
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