António Nobre

Portugal
1867 // 1900
Poeta

41 Poemas

>>

O Somno de João (1)

O João dorme... (Ó Maria,/ Dize áquella cotovia/ Que falle mais devagar:/ Não vá o João, acordar...)/ / Tem só um palmo de altura/ E nem meio de largura:/ Para o amigo orangotango/ O João seria... um...

À Luz da Lua! (2)

Iamos sós pela floresta amiga,/ Onde em perfumes o luar se evola,/ Olhando os céus, modesta rapariga!/ Como as crianças ao sair da escola./ / Em teus olhos dormentes de fadiga,/ Meio cerrados como o ...

Vaidade, Tudo Vaidade! (3)

Vaidade, meu amor, tudo vaidade!/ Ouve: quando eu, um dia, for alguem,/ Tuas amigas ter-te-ão amizade,/ (Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm./ / Vaidade é o luxo, a gloria, a caridade,/ Tudo va...

Poveiro (4)

Poveirinhos! meus velhos pescadores!/ Na Agoa quizera com vocês morar:/ Trazer o lindo gorro de trez cores,/ Mestre da lancha Deixem-nos passar!/ / Far-me-ia outro, que os vossos interiores/ D...

A Vida (5)

Ó grandes olhos outomnaes! mysticas luzes!/ Mais tristes do que o amor, solemnes como as cruzes!/ Ó olhos pretos! olhos pretos! olhos cor/ Da capa d'Hamlet, das gangrenas do Senhor!/ Ó olhos negros c...

A Poezia do Outomno (6)

Noitinha. O sol, qual brigue em chammas, morre/ Nos longes d'agoa... Ó tardes de novena!/ Tardes de sonho em que a poezia escorre/ E os bardos, a sonhar, molham a penna!/ / Ao longe, os rios de agoas...

Para As Raparigas de Coimbra (7)

1/ / Ó choupo magro e velhinho,/ Corcundinha, todo aos nós:/ És tal qual meu avôzinho,/ Falta-te apenas a voz./ / 2/ / Minha capa vos acoite/ Que é p'ra vos agazalhar:/ Se por fóra é cor da noite,/ P...

Natal d'um Poeta (8)

Em certo reino, á esquina do planeta,/ Onde nasceram meus Avós, meus Paes,/ Ha quatro lustres, viu a luz um poeta/ Que melhor fôra não a ver jamais./ / Mal despontava para a vida inquieta,/ Logo ao n...

Paz! (9)

E a Vida foi, e é assim, e não melhora./ Esforço inutil, crê! Tudo é illuzão.../ Quantos não scismam n'isso mesmo a esta hora/ Com uma taça, ou um punhal na mão!/ / Mas a Arte, o Lar, um filho, Anton...

Ah Deixem-me Dormir! (10)

O Poeta/ / Olá, bom velho! é aqui o Hotel da Cova,/ Tens algum quarto ainda para alugar?/ Simples que seja, basta-me uma alcova.../ (Como eu estou molhado! é de chorar...)/ / / O povo/ / ...

Quando Chegar a Hora (11)

Quando eu, feliz! morrer, oiça, Sr. Abbade,/ Oiça isto que lhe peço:/ Mande-me abrir, alli, uma cova á vontade,/ Olhe: eu mesmo lh'a meço.../ / O coveiro é podão, fal-as sempre tão baixas.../...

Ó Virgens! (12)

Ó virgens que passaes, ao sol-poente,/ Pelas estradas ermas, a cantar!/ Eu quero ouvir uma canção ardente/ Que me transporte ao meu perdido lar.../ / Cantae-me, n'essa voz omnipotente,/ O sol que tom...

Purinha (13)

O Espirito, a Nuvem, a Sombra, a Chymera,/ Que (aonde ainda não sei) neste mundo me espera/ Aquella que, um dia, mais leve que a bruma,/ Toda cheia de véus, como uma Espuma,/ O Sr. Padre me dará p'ra...

Epilogo (14)

Meu coração, não batas, pára!/ Meu coração, vae-te deitar!/ A nossa dor, bem sei, é amara,/ A nossa dor, bem sei, é amara.../ Meu coração, vamos sonhar.../ Ao mundo vim, mas enganado./ Sinto-me farto...

O Meu Cachimbo (15)

Ó meu cachimbo! Amo-te immenso!/ Tu, meu thuribudo sagrado!/ Com que, bom Abbade, incenso/ A Abbadia do meu passado./ / Fumo? E occorre-me á lembrança/ Todo esse tempo que lá vae,/ Quando fumava, ain...

Á Toa (16)

O Primeiro Homem/ / Que lindo mundo! E eu só! Que tortura tamanha!/ Ninguem! Meu pae é o céu. Minha mãe é a montanha./ / A Montanha/ / Os meus cabellos são os pinheiraes sombrios/ E veias do meu corp...

Menino e Moço (17)

Tombou da haste a flor da minha infancia alada,/ Murchou na jarra de oiro o pudico jasmim:/ Voou aos altos céus Sta Aguia, linda fada,/ Que d'antes estendia as azas sobre mim./ / Julguei que fosse et...

Os Figos Pretos (18)

- Verdes figueiras soluçantes nos caminhos!/ Vós sois odiadas desde os seculos avós:/ Em vossos galhos nunca as aves fazem ninhos,/ Os noivos fogem de se amar ao pé de vós!/ / - Ó verdes figueira...

Carta a Manoel (19)

Manoel, tens razão. Venho tarde. Desculpa./ Mas não foi Anto, não fui eu quem teve a culpa,/ Foi Coimbra. Foi esta paysagem triste, triste,/ A cuja influencia a minha alma não reziste,/ Queres notici...

Certa Velhinha (20)

1/ / Além, na tapada das Quatorze Cruzes,/ Que triste velhinha que vae a passar!/ Não leva candeia; hoje, o céu não tem luzes.../ Cautella, velhinha, não vás tropeçar!/ / Os ventos entoam cant...
>>

Garantia de Qualidade
O Citador é o maior site de citações, frases, textos e poemas genuínos e devidamente recenseados em língua portuguesa. Desde o ano 2000 que o Citador recolhe counteúdos directamente das fontes bibliográficas, sem recorrer a cópias de outros sites ou contributos duvidosos a partir de terceiros. Tem atenção aos Direitos de Autor.
Pesquisa

Citador em Inglês