António Nobre

Portugal
16 Ago 1867 // 18 Mar 1900
Poeta

41 Poemas

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Certa Velhinha (21)

1/ / Além, na tapada das Quatorze Cruzes,/ Que triste velhinha que vae a passar!/ Não leva candeia; hoje, o céu não tem luzes.../ Cautella, velhinha, não vás tropeçar!/ / Os ventos entoam cant...

Os Sinos (22)

1/ / Os sinos tocam a noivado,/ No Ar lavado!/ Os sinos tocam, no Ar lavado,/ A noivado!/ / Que linda criança que assoma na rua!/ Que linda, a andar!/ Em extasi, o povo commenta que é a L...

Males de Anto (23)

A Ares n'uma aldeia/ / Quando cheguei, aqui, Santo Deus! como eu vinha!/ Nem mesmo sei dizer que doença era a minha,/ Porque eram todas, eu sei lá! desde o odio ao tedio./ Molestias d'alma para as qu...

Que Aborrecido! (24)

Meus dias de rapaz, de adolescente,/ Abrem a bocca a bocejar sombrios:/ Deslizam vagarozos, como os rios,/ Succedem-se uns aos outros, egualmente./ / Nunca desperto de manhã, contente./ Pallido sempr...

Pobre Tysica! (25)

Quando ella passa á minha porta,/ Magra, livida, quazi morta,/ E vae até á beira-mar,/ Labios brancos, olhos pizados:/ Meu coração dobra a finados,/ Meu coração poe-se a chorar.../ / Perpassa leve co...

Continua a Tempestade (26)

Aqui, sobre estas aguas cor de azeite,/ Scismo em meu lar, na paz que lá havia:/ Carlota, á noite, ia ver se eu dormia/ E vinha, de manhã, trazer-me o leite.../ / Aqui, não tenho um unico deleite!/ T...

Maes, Vinde Ouvir! (27)

Longe de ti, na cella do meu quarto,/ Meu copo cheio de agoirentas fezes,/ Sinto que rezas do Outro-mundo, harto,/ Pelo teu filho. Minha Mãe, não rezes!/ / Para fallar, assim, ve tu! já farto,/ Para ...

Ai de Mim! (28)

Venho, torna-me velho esta lembrança!/ D'um enterro d'anjinho, nobre e puro:/ Infancia, era este o nome da criança/ Que, hoje, dorme entre os bichos, lá no escuro.../ / Trez anjos, a Chymera, o Amor,...

Febre Vermelha (29)

Rozas de vinho! Abri o calice avinhado!/ Para que em vosso seio o labio meu se atole:/ Beber até cair, bebedo, para o lado!/ Quero beber, beber até o ultimo gole!/ / Rozas de sangue! Abri o vosso pei...

Ballada do Caixão (30)

O meu vizinho é carpinteiro,/ Algibebe de Dona Morte:/ Ponteia e coze, o dia inteiro,/ Fatos de pau de toda a sorte:/ Mogno, debruados de velludo/ Flandres gentil, pinho do Norte.../ Ora eu que trago...
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