António Ramos Rosa

Portugal
17 Out 1924 // 23 Set 2013
Poeta/Ensaísta

21 Poemas

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A Verdade (11)

A verdade é semelhante a uma adolescente/ vibrante, flexível, em radiosa sombra./ Quando fala é a noite translúcida no mar/ e a esfera germinal e os anéis da água./ Um apelo suave obstinado se adivin...

Um Ofício que Fosse de Intensidade e Calma (12)

Um ofício que fosse de intensidade e calma/ e de um fulgor feliz E que durasse/ com a densidade ardente e contemporâneo/ de quem está no elemento aceso e é a estatura/ da água num corpo de alegria E ...

Poema dum Funcionário Cansado (13)

A noite trocou-me os sonhos e as mãos/ dispersou-me os amigos/ tenho o coração confundido e a rua é estreita/ / estreita em cada passo/ as casas engolem-nos/ sumimo-nos,/ estou num quarto só num quar...

A Partir da Ausência (14)

Imaginar a forma / doutro ser Na língua,/ proferir o seu desejo/ O toque inteiro/ / Não existir/ / Se o digo acendo os filamentos/ desta nocturna lâmpada/ A pedra toco do silêncio densa/ Os veios de ...

O Jardim (15)

Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,/ calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes./ Sequências de convergências e divergências,/ ordem e dispersões, transparência de estruturas,/ p...

A Leitora (16)

A leitora abre o espaço num sopro subtil./ Lê na violência e no espanto da brancura./ Principia apaixonada, de surpresa em surpresa./ Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco./ Ela fala com as pe...

A Palavra (17)

Eleva-se entre a espuma, verde e cristalina/ e a alegria aviva-se em redonda ressonância./ O seu olhar é um sonho porque é um sopro indivisível/ que reconhece e inventa a pluralidade delicada./ Ao lo...

A Leitora (18)

A leitora abre o espaço num sopro subtil./ Lê na violência e no espanto da brancura./ Principia apaixonada, de surpresa em surpresa./ Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco./ Ela fala com as pe...

Aqui Mereço-te (19)

O sabor do pão e da terra/ e uma luva de orvalho na mão ligeira./ A flor fresca que respiro é branca./ E corto o ar como um pão enquanto caminho entre searas./ Pertenço em cada movimento a esta terra...

Mediadora do Vento (20)

Ligeira sobre o dia/ ao som dos jogos,/ desliza com o vento/ num encantado gozo./ / Pelas praias do ar/ difunde-se em prodígios./ Tudo é acaso leve,/ tudo é prodígio simples./ / Pequena e magnífica/ ...
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