António Serrão de Castro

Portugal
1610 // 1685
Poeta

7 Poemas



Quem não Trabuca, não Manduca (1)

Olhai que quem quer comer/ trabalha, lida, e trabuca;/ que quem trabuca manduca/ mil vezes ouvi dizer;/ mas ociosos viver/ e vir comer pão alheio/ é um caso muito feio;/ coma quem sua e trabalha,/ be...

Do Mal Guardado Come o Gato (2)

Dizem que o gato e o ladrão/ leva o mal arrecadado;/ mas vós do melhor guardado/ na canastra lançais mão./ Porque vossos dentes são/ umas mui agudas puas,/ e vossas unhas gazuas,/ e vós uns salteador...

Na Arca Aberta, o Justo Peca (3)

Na arca aberta o justo peca,/ não em canastra fechada;/ mas vós da minha coitada/ fechada a fazeis caneca:/ vindes lá de seca e meca/ com tal pressa e furor tal,/ que fazeis, para meu mal,/ com mau t...

Em Terra de Cegos, quem Tem um Olho é Rei (4)

Nenhum erro cometi/ em chamar torta á fortuna,/ que a esta varia importuna/ chamar cega sempre ouvi;/ mas eu mais a engrandeci,/ pois, se torta lhe chamei,/ de mais um olho lhe dei;/ e quem com um ol...

São Mais as Vozes que as Nozes (5)

Mais são as vozes que as nozes/ p’ra mim nesta ocasião,/ e para vós nesta acção/ mais as nozes que as vozes:/ vós jogais os arriozes/ com elas muito contentes;/ e, sendo as nozes tão quentes,/ eu fic...

Águas Passadas não Moem Moinhos (6)

Porém passa-me por alto,/ e tanto por alto, que/ mais meu olho não a vê/ depois que lhe dais assalto:/ eu então de passas falto/ fico morfuz e mofino;/ vós moendo-a de contino,/ eu sem moer dela nada...

Desta Água não Beberei (7)

Desta água não beberei/ é um dito mui comum;/ mas de vós não diz nenhum/ deste pão não comerei,/ porque muito certo sei/ que quem pão alheio achou/ que dele muito gostou,/ seja de trigo ou centeio,/ ...


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