Bertolt Brecht

Alemanha
1898 // 1956
Escritor/Dramaturgo

14 Poemas



De que Serve a Bondade (1)

1/ / De que serve a bondade/ Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos/ Aqueles para quem foram bondosos?/ / De que serve a liberdade/ Quando os livres têm que viver entre os não-livres?/...

Louvor do Revolucionário (2)

Quando a opressão aumenta/ Muitos se desencorajam/ Mas a coragem dele cresce./ Ele organiza a luta/ Pelo tostão do salário, pela água do chá/ E pelo poder no Estado./ Pergunta à propriedade:/ Donde v...

Louvor do Aprender (3)

Aprende o mais simples! Pra aqueles/ Cujo tempo chegou/ Nunca é tarde de mais!/ Aprende o abc, não chega, mas/ Aprende-o! E não te enfades!/ Começa! Tens de saber tudo!/ Tens de tomar a chefia!/ / ...

Nunca te Amei Tanto (4)

Nunca te amei tanto, ma soeur,/ Como quando de ti parti naquele pôr-de-sol./ O bosque engoliu-me, o bosque azul, ma soeur,/ Sobre que já pousavam as estrelas pálidas a oeste./ / Não me ri nem um pouc...

Prazeres (5)

O primeiro olhar da janela de manhã/ O velho livro de novo encontrado/ Rostos animados/ Neve, o mudar das estações/ O jornal/ O cão/ A dialéctica/ Tomar duche, nadar/ Velha música/ Sapatos cómodos/ C...

Louvor do Esquecimento (6)

Bom é o esquecimento./ Senão como é que/ O filho deixaria a mãe que o amamentou?/ Que lhe deu a força dos membros e/ O retém para os experimentar./ / Ou como havia o discípulo de abandonar o mestre/ ...

A Verdade Unifica (7)

Amigos, gostaria que soubésseis a Verdade e a dissésseis!/ Não como cansados Césares fugitivos: Amanhã vem farinha!/ Mas como Lenine: Amanhã à noitinha/ Estamos perdidos, se não.../ Ou como se diz na...

O Horror de ser Pobre (8)

Risco c'um traço/ (Um traço fino, sem azedume)/ Todos os que conheço, eu mesmo incluído./ Para todos estes não me verão/ Nunca mais/ Olhar com azedume./ / O horror de ser pobre!/ Muitos gabavam-se qu...

Contra a Sedução (9)

1/ / Não vos deixeis seduzir!/ Regresso não pode haver./ O dia já fecha as portas,/ Já sentis o frio da noite:/ Não haverá amanhã./ / 2/ / Não vos deixeis enganar,/ E que a vida pouco vale!/ Sorvei-a...

O Camponês Trata das Leiras (10)

1/ / O camponês trata das leiras/ Mantém em forma as vacas, paga impostos/ Faz filhos pra poupar criados e/ Está dependente do preço do leite./ Os da cidade falam do amor ao torrão/ Da sadia cepa cam...

O «Ensina-me» (11)

Quando era novo, mandei fazer numa tábua/ A canivete e nanquim a figura dum velho/ A coçar-se no peito por causa da sarna/ Mas de olhar implorativo porque esperava que o ensinassem./ Uma segunda tábu...

Sobra a Construção de Obras Duradouras (12)

Quanto tempo/ Duram as obras? Tanto/ Quanto o preciso pra ficarem prontas./ Pois enquanto dão que fazer/ Não ruem./ / Convidando ao esforço/ Compensando a participação/ A sua essência é duradoura enq...

Canção da Inocência Perdida (13)

1/ / O que a minha mãe dizia/ Não pode ser bem verdade:/ Que uma vez emporcalhada/ Nunca passa a sujidade./ Se isto não vale pra a roupa/ Também não vale pra mim./ Que o rio l...

Dos Restos de Velhos Tempos (14)

Para exemplo ainda continua a Lua/ Nas noites por sobre os novos edifícios;/ Entre as coisas de cobre/ É ela/ A mais inutilizável. Já/ As mães contam de animais,/ Chamados cavalos, que puxavam carr...


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