Carlos Drummond de Andrade

Brasil
31 Out 1902 // 17 Ago 1987
Escritor/Poeta/Cronista

49 Poemas

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Para Sempre (1)

Por que Deus permite/ que as mães vão-se embora?/ Mãe não tem limite,/ é tempo sem hora,/ luz que não apaga/ quando sopra o vento/ e chuva desaba,/ veludo escondido/ na pele enrugada,/ água pura, ar ...

Ainda que Mal (2)

Ainda que mal pergunte,/ ainda que mal respondas;/ ainda que mal te entenda,/ ainda que mal repitas;/ ainda que mal insista,/ ainda que mal desculpes;/ ainda que mal me exprima,/ ainda que mal me jul...

As Sem Razões do Amor (3)

Eu te amo porque te amo./ Não precisas ser amante,/ e nem sempre sabes sê-lo./ Eu te amo porque te amo./ Amor é estado de graça/ e com amor não se paga./ / Amor é dado de graça,/ é semeado no vento,/...

O Tempo Passa? Não Passa (4)

O tempo passa? Não passa/ no abismo do coração./ Lá dentro, perdura a graça/ do amor, florindo em canção./ / O tempo nos aproxima/ cada vez mais, nos reduz/ a um só verso e uma rima/ de mãos e olhos,...

Ausência (5)

Por muito tempo achei que a ausência é falta./ E lastimava, ignorante, a falta./ Hoje não a lastimo./ Não há falta na ausência./ A ausência é um estar em mim./ E sinto-a, branca, tão pegada, aconcheg...

Viver (6)

Mas era apenas isso,/ era isso, mais nada?/ Era só a batida/ numa porta fechada?/ / E ninguém respondendo,/ nenhum gesto de abrir:/ era, sem fechadura,/ uma chave perdida?/ / Isso, ou menos que isso/...

O Amor Bate na Porta (7)

Cantiga do amor sem eira/ nem beira,/ vira o mundo de cabeça/ para baixo,/ suspende a saia das mulheres,/ tira os óculos dos homens,/ o amor, seja como for,/ é o amor./ / Meu bem, não chores,/ hoje t...

Irmão, Irmãos (8)

Cada irmão é diferente./ Sozinho acoplado a outros sozinhos./ A linguagem sobe escadas, do mais moço,/ ao mais velho e seu castelo de importância./ A linguagem desce escadas, do mais velho/ ao mísero...

Quero (9)

Quero que todos os dias do ano/ todos os dias da vida/ de meia em meia hora/ de 5 em 5 minutos/ me digas: Eu te amo./ / Ouvindo-te dizer: Eu te amo,/ creio, no momento, que sou amado,/ No momento ant...

A Palavra Mágica (10)

Certa palavra dorme na sombra/ de um livro raro./ Como desencantá-la?/ É a senha da vida/ a senha do mundo./ Vou procurá-la./ / Vou procurá-la a vida inteira/ no mundo todo./ Se tarda o encontro, se ...

Poema da Necessidade (11)

É preciso casar João,/ é preciso suportar António,/ é preciso odiar Melquíades,/ é preciso substituir nós todos./ / É preciso salvar o país,/ é preciso crer em Deus,/ é preciso pagar as dívidas,/ é p...

O Novo Homem (12)

O homem será feito/ em laboratório./ Será tão perfeito como no antigório./ Rirá como gente,/ beberá cerveja/ deliciadamente./ Caçará narceja/ e bicho do mato./ Jogará no bicho,/ tirará retrato/ com o...

Balada do Amor através das Idades (13)

Eu te gosto, você me gosta/ desde tempos imemoriais./ Eu era grego, você troiana,/ troiana mas não Helena./ Saí do cavalo de pau/ para matar seu irmão./ Matei, brigámos, morremos./ / Virei soldado ro...

Toada do Amor (14)

E o amor sempre nessa toada:/ briga perdoa perdoa briga./ / Não se deve xingar a vida,/ a gente vive, depois esquece./ Só o amor volta para brigar,/ para perdoar,/ amor cachorro bandido trem./ / Mas,...

O Constante Diálogo (15)

Há tantos diálogos/ / Diálogo com o ser amado/ o semelhante/ o diferente/ o indiferente/ o oposto/ o adv...

O Amor Antigo (16)

O amor antigo vive de si mesmo,/ não de cultivo alheio ou de presença./ Nada exige nem pede. Nada espera,/ mas do destino vão nega a sentença./ / O amor antigo tem raízes fundas,/ feitas de sofriment...

Amor - Pois que é Palavra Essencial (17)

Amor — pois que é palavra essencial/ comece esta canção e toda a envolva./ Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,/ reúna alma e desejo, membro de vulva./ / Quem ousará dizer que ele é só alma?/ Qu...

Véspera (18)

Amor: em teu regaço as formas sonham/ o instante de existir: ainda é bem cedo/ para acordar, sofrer. Nem se conhecem/ os que se destruirão em teu bruxedo./ / Nem tu sabes, amor, que te aproximas/ a p...

Necrológio dos Desiludidos do Amor (19)

Os desiludidos do amor/ estão desfechando tiros no peito./ Do meu quarto ouço a fuzilaria./ As amadas torcem-se de gozo./ Oh quanta matéria para os jornais./ / Desiludidos mas fotografados,/ escrever...

Certas Palavras (20)

Certas palavras não podem ser ditas/ em qualquer lugar e hora qualquer./ Estritamente reservadas/ para companheiros de confiança,/ devem ser sacralmente pronunciadas/ em tom muito especial/ lá onde a...
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Pesquisa

A História da Humanidade é um Desastre Contínuo

A história da humanidade é um desastre contínuo. Nunca houve nada que se parecesse com um momento de paz. Se ainda fosse só a guerra, em que as pessoas se enfrentam ou são obrigadas a se enfrentar......

A Poesia

... Quantas obras de arte... Já não cabem no mundo... Temos de as pendurar fora dos quartos... Quantos livros... Quantos livrecos... Quem será capaz de os ler?... Se fossem comestíveis... Se numa pan...
Inspirações

O Tamanho da Mãe

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