Cecília Meireles

Brasil
1901 // 1964
Poeta/Escritora

40 Poemas

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Não te Fies do Tempo nem da Eternidade (1)

Não te fies do tempo nem da eternidade/ que as nuvens me puxam pelos vestidos,/ que os ventos me arrastam contra o meu desejo./ Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,/ que amanhã morro e não te vejo!...

Recado aos Amigos Distantes (2)

Meus companheiros amados,/ não vos espero nem chamo:/ porque vou para outros lados./ Mas é certo que vos amo./ / Nem sempre os que estão mais perto/ fazem melhor companhia./ Mesmo com sol encoberto,...

De Longe Te Hei-de Amar (3)

De longe te hei-de amar/ - da tranquila distância/ em que o amor é saudade/ e o desejo, constância./ / Do divino lugar/ onde o bem da existência/ é ser eternidade/ e parecer ausência./ / Quem precisa...

De Que São Feitos os Dias? (4)

De que são feitos os dias?/ - De pequenos desejos,/ vagarosas saudades,/ silenciosas lembranças./ / Entre mágoas sombrias,/ momentâneos lampejos:/ vagas felicidades,/ inactuais esperanças./ / De louc...

Lua Adversa (5)

Tenho fases, como a lua,/ Fases de andar escondida,/ fases de vir para a rua... / Perdição da minha vida!/ Perdição da vida minha!/ Tenho fases de ser tua, / tenho outras de ser sozinha./ / Fases que...

Canção do Amor-Perfeito (6)

Eu vi o raio de sol/ beijar o outono./ Eu vi na mão dos adeuses/ o anel de ouro./ Não quero dizer o dia./ Não posso dizer o dono./ / Eu vi bandeiras abertas/ sobre o mar largo/ e ouvi cantar as serei...

Romantismo (7)

Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,/ para pensar um belo pensamento/ e pousá-lo no vento!/ / Quem tivesse um amor - longe, certo e impossível -/ para se ver chorando, e gostar de chorar,/ e ado...

Se te Abaixasses, Montanha (8)

Se te abaixasses, montanha,/ poderia ver a mão/ daquele que não me fala/ e a quem meus suspiros vão./ / Se te abaixasses, montanha,/ poderia ver a face/ daquele que se soubesse/ deste amor talvez cho...

Personagem (9)

Teu nome é quase indiferente/ e nem teu rosto já me inquieta./ A arte de amar é exatamente/ a de ser poeta./ / Para pensar em ti, me basta/ o próprio amor que por ti sinto:/ és a ideia, serena e cast...

Personagem (10)

Teu nome é quase indiferente/ e nem teu rosto já me inquieta./ A arte de amar é exactamente/ a de se ser poeta./ / Para pensar em ti, me basta/ o próprio amor que por ti sinto:/ és a ideia, serena e ...

O Que Amamos Está Sempre Longe de Nós (11)

O que amamos está sempre longe de nós:/ e longe mesmo do que amamos - que não sabe/ de onde vem, aonde vai nosso impulso de amor./ / O que amamos está como a flor na semente,/ entendido com medo e in...

Como se Morre de Velhice (12)

Como se morre de velhice/ ou de acidente ou de doença,/ morro, Senhor, de indiferença./ / Da indiferença deste mundo/ onde o que se sente e se pensa/ não tem eco, na ausência imensa./ / Na ausência,...

Retrato de Mulher Triste (13)

Vestiu-se para um baile que não há./ Sentou-se com suas últimas jóias./ E olha para o lado, imóvel./ / Está vendo os salões que se acabaram,/ embala-se em valsas que não dançou,/ levemente sorri para...

A Velhice Pede Desculpas (14)

Tão velho estou como árvore no inverno,/ vulcão sufocado, pássaro sonolento./ Tão velho estou, de pálpebras baixas,/ acostumado apenas ao som das músicas,/ à forma das letras./ / Fere-me a luz das lâ...

Pergunto-te Onde se Acha a Minha Vida (15)

Pergunto-te onde se acha a minha vida./ Em que dia fui eu. Que hora existiu formada/ de uma verdade minha bem possuída./ / Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada./ / E a quem é que pergunto...

Sem Corpo Nenhum (16)

Sem corpo nenhum, / como te hei de amar?/ — Minha alma, minha alma,/ tu mesma escolheste/ esse doce mal!/ / Sem palavra alguma,/ como o hei de saber?/ — Minha alma, minha alma,/ tu mesma desejas/ o...

O Tempo Seca o Amor (17)

O tempo seca a beleza,/ seca o amor, seca as palavras./ Deixa tudo solto, leve,/ desunido para sempre/ como as areias nas águas./ / O tempo seca a saudade,/ seca as lembranças e as lágrimas./ Deixa a...

Criança (18)

Cabecinha boa de menino triste,/ de menino triste que sofre sozinho,/ que sozinho sofre, — e resiste,/ / Cabecinha boa de menino ausente,/ que de sofrer tanto se fez pensativo,/ e não sabe mais o que...

Atitude (19)

Minha esperança perdeu seu nome.../ Fechei meu sonho, para chamá-la./ A tristeza transfigurou-me/ como o luar que entra numa sala./ / O último passo do destino/ parará sem forma funesta, / e a noite ...

Lei (20)

O que é preciso é entender a solidão!/ O que é preciso é aceitar, mesmo, a onda amarga/ que leva os mortos./ / O que é preciso é esperar pela estrela/ que ainda não está completa./ / O que é preciso ...
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