Cecília Meireles

Brasil
7 Nov 1901 // 9 Nov 1964
Poeta/Escritora

40 Poemas

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Canção Póstuma (11)

Fiz uma canção para dar-te;/ porém tu já estavas morrendo./ A Morte é um poderoso vento./ E é um suspiro tão tímido, a Arte.../ / É um suspiro tímido e breve/ como o da respiração diária./ Choro de p...

Retrato de Mulher Triste (12)

Vestiu-se para um baile que não há./ Sentou-se com suas últimas jóias./ E olha para o lado, imóvel./ / Está vendo os salões que se acabaram,/ embala-se em valsas que não dançou,/ levemente sorri para...

Se te Abaixasses, Montanha (13)

Se te abaixasses, montanha,/ poderia ver a mão/ daquele que não me fala/ e a quem meus suspiros vão./ / Se te abaixasses, montanha,/ poderia ver a face/ daquele que se soubesse/ deste amor talvez cho...

A Velhice Pede Desculpas (14)

Tão velho estou como árvore no inverno,/ vulcão sufocado, pássaro sonolento./ Tão velho estou, de pálpebras baixas,/ acostumado apenas ao som das músicas,/ à forma das letras./ / Fere-me a luz das lâ...

O Que Amamos Está Sempre Longe de Nós (15)

O que amamos está sempre longe de nós:/ e longe mesmo do que amamos - que não sabe/ de onde vem, aonde vai nosso impulso de amor./ / O que amamos está como a flor na semente,/ entendido com medo e in...

Criança (16)

Cabecinha boa de menino triste,/ de menino triste que sofre sozinho,/ que sozinho sofre, — e resiste,/ / Cabecinha boa de menino ausente,/ que de sofrer tanto se fez pensativo,/ e não sabe mais o que...

O Tempo Seca o Amor (17)

O tempo seca a beleza,/ seca o amor, seca as palavras./ Deixa tudo solto, leve,/ desunido para sempre/ como as areias nas águas./ / O tempo seca a saudade,/ seca as lembranças e as lágrimas./ Deixa a...

Pergunto-te Onde se Acha a Minha Vida (18)

Pergunto-te onde se acha a minha vida./ Em que dia fui eu. Que hora existiu formada/ de uma verdade minha bem possuída./ / Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada./ / E a quem é que pergunto...

Ninguém me Venha Dar Vida (19)

Ninguém me venha dar vida,/ que estou morrendo de amor,/ que estou feliz de morrer,/ que não tenho mal nem dor,/ que estou de sonho ferida,/ que não me quero curar,/ que estou deixando de ser/ e não ...

Sem Corpo Nenhum (20)

Sem corpo nenhum, / como te hei de amar?/ — Minha alma, minha alma,/ tu mesma escolheste/ esse doce mal!/ / Sem palavra alguma,/ como o hei de saber?/ — Minha alma, minha alma,/ tu mesma desejas/ o...
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