Cesário Verde

Portugal
25 Fev 1855 // 19 Jul 1886
Poeta

26 Poemas

<< >>

Heroísmos (11)

Eu temo muito o mar, o mar enorme,/ Solene, enraivecido, turbulento,/ Erguido em vagalhões, rugindo ao vento;/ O mar sublime, o mar que nunca dorme./ / Eu temo o largo mar, rebelde, informe,/ De víti...

Arrojos (12)

Se a minha amada um longo olhar me desse/ Dos seus olhos que ferem como espadas,/ Eu domaria o mar que se enfurece/ E escalaria as nuvens rendilhadas./ / Se ela deixasse, extático e suspenso/ Tomar-l...

Lágrimas (13)

Ela chorava muito e muito, aos cantos,/ Frenética, com gestos desabridos;/ Nos cabelos, em ânsias desprendidos/ Brilhavam como pérolas os prantos./ / Ele, o amante, sereno como os santos,/ Deitado no...

A Débil (14)

Eu, que sou feio, sólido, leal,/ A ti, que és bela, frágil, assustada,/ Quero estimar-te sempre, recatada/ Numa existência honesta, de cristal./ / Sentado à mesa dum café devasso,/ Ao avistar-te, há ...

Lúbrica (15)

Mandaste-me dizer,/ No teu bilhete ardente,/ Que hás de por mim morrer,/ Morrer muito contente./ / Lançastes, no papel/ As mais lascivas frases;/ A carta era um painel/ De cenas de rapazes!/ / Ó cáli...

Esplêndida (16)

Ei-la! Como vai bela! Os esplendores/ Do lúbrico Versailles do Rei-Sol!/ Aumenta-os com retoques sedutores./ É como o refulgir dum arrebol/ Em sedas multicores./ / Deita-se com langor no azul celeste...

Ironias do Desgosto (17)

Onde é que te nasceu - dizia-me ela às vezes -/ O horror calado e triste às coisas sepulcrais?/ Por que é que não possuis a verve dos franceses/ E aspiras, em silêncio, os frascos dos meus sais?...

Pró Pudor (18)

Todas as noites ela me cingia/ Nos braços, com brandura gasalhosa;/ Todas as noites eu adormecia,/ Sentindo-a desleixada a langorosa./ / Todas as noites uma fantasia/ Lhe emanava da fronte imaginosa;...

Noite Fechada (19)

L./ / Lembras-te tu do sábado passado,/ Do passeio que demos, devagar,/ Entre um saudoso gás amarelado/ E as carícias leitosas do luar?/ / Bem me lembro das altas ruazinhas,/ Que ambos nós percorremo...

Desastre (20)

Ele ia numa maca, em ânsias, contrafeito,/ Soltando fundos ais e trêmulos queixumes;/ Caíra dum andaime e dera com o peito,/ Pesada e secamente, em cima duns tapumes./ / A brisa que balouça as árvore...
<< >>

Facebook

© Copyright 2003-2019 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE