Charles Baudelaire

França
9 Abr 1821 // 31 Ago 1867
Poeta/Escritor/Crítico

30 Poemas

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O Cachimbo (21)

Trigueiro, negro, enfarruscado,/ Sou o cachimbo d'um autor,/ incorrigível fumador,/ Que me tem já quase queimado./ / Quando o persegue ingente dor,/ Eu, a fumar, sou comparado/ Ao fogareiro improvisa...

O Azar (22)

Com peso tal, não me ajeito;/ Dá-me, Sísifo, vigor!/ Embora eu tenha valor,/ A Arte é larga e o Tempo Estreito./ / Longe dos mortos lembrados,/ A um obscuro cemitério,/ Minh'alma , tambor funéreo,/ V...

A Musa Venal (23)

Musa do meu amor, ó principesca amante,/ Quando o inverno chegar, com seus ventos irados/ Pelos longos serões, de frio tiritante,/ Com que hás-de acalentar os pésitos gelados?/ / Tencionas aquecer o ...

Benção (24)

Quando, por uma lei da vontade suprema,/ O Poeta vem a luz d'este mundo insofrido/ A desolada mãe, numa crise de blasfêmia,/ Pragueja contra Deus, que a escuta comovido:/ / — Antes eu procriasse uma...

Uma Gravura Fantástica (25)

Um vulto singular, um fantasma faceto,/ Ostenta na cabeça horrivel de esqueleto/ Um diadema de lata, - único enfeite a orná-lo/ Sem espora ou ping'lim, monta um pobre cavalo,/ Um espectro tambem, roc...

A Vida Anterior (26)

Longos anos vivi sob um pórtico alto/ De gigantes pilares, nobres, dominadores,/ Que a luz, vinda do mar, esmaltava de cores,/ Tornando-o semelhante às grutas de basalto./ / Chegavam até mim os ecos ...

O Monge Maldito (27)

Os devotos painéis dos antigos conventos,/ Reproduzindo a santa imagem da Verdade,/ Davam certo conforto aos sóbrios monumentos,/ Tornavam menos fria aquela austeridade./ / Olhos fitos em Deus, nos s...

A Musa Enferma (28)

Ó minha musa, então! que tens tu, meu amor?/ Que descorada estás! No teu olhar sombrio/ Passam fulgurações de loucura e terror;/ Percorre-te a epiderme em fogo um suor frio./ / Esverdeado gnomo ou du...

Esterilidade (29)

Ao vê-la caminhar em trajos vaporosos,/ Parece que desliza em voluptuosa dança,/ Como aqueles répteis da Índia, majestosos,/ Que um faquir faz mover em torno d'uma lança./ / Como um vasto areal, ou c...

A Teodoro de Banville (30)

De tal modo agarraste a Deusa pela crina,/ Com ar dominador, num gesto sacudido/ Que se alguém presencia o caso acontecido/ Poderia julgar-te um rufião de esquina./ / Com o límpido olhar, — precoce e...
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