Daniel Faria

Portugal
1971 // 1999
Poeta

14 Poemas



Amo-te nesta Ideia Nocturna da Luz nas Mãos (1)

Amo-te nesta ideia nocturna da luz nas mãos/ E quero cair em desuso/ Fundir-me completamente./ Esperar o clarão da tua vinda, a estrela, o teu anjo/ Os focos celestes que a candeia humana não iguala/...

Tenho Saudades do Calor ó Mãe (2)

Tenho saudades do calor ó mãe que me penteias/ Ó mãe que me cortas o cabelo — o meu cabelo/ Adorna-te muito mais do que os anéis/ / Dá-me um pouco do teu corpo como herança/ Uma porção do teu corpo g...

Amo-te no Intenso Tráfego (3)

Amo-te no intenso tráfego/ Com toda a poluição no sangue./ Exponho-te a vontade/ O lugar que só respira na tua boca/ Ó verbo que amo como a pronúncia/ Da mãe, do amigo, do poema/ Em pensamento./ Com ...

Amo o Caminho que Estendes (4)

Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões./ Ignoro se um pássaro morto continua o seu voo/ Se se recorda dos movimentos migratórios/ E das estações./ Mas não me importo de adoecer no ...

Explicação da Ausência (5)

Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou/ Não rodou mais para a festa não irrompeu/ Em labareda ou nuvem no coração de ninguém./ A mudança fez-se vazio repetido/ E o a vir a mesma afi...

Ausência (6)

Fala/ / Ouvir-te-ei/ Ainda que os segredos/ As amoras me chamem/ / Diz-me/ Que existirão lágrimas para chorar/ Na velhice/ Na solidão/ / Ainda que acordes os olhos dos deuses/ / Fala/ / Ouvir-te-ei/ ...

Estranho é o Sono que não te Devolve (7)

Estranho é o sono que não te devolve./ Como é estrangeiro o sossego/ De quem não espera recado./ Essa sombra como é a alma/ De quem já só por dentro se ilumina/ E surpreende/ E por fora é/ Apenas pes...

Há uma Mulher a Morrer Sentada (8)

Há uma mulher a morrer sentada/ Uma planta depois de muito tempo/ Dorme sossegadamente/ Como cisne que se prepara/ Para cantar/ / Ela está sentada à janela. Sei que nunca/ Mais se levantará para abri...

Sem outra Palavra para Mantimento (9)

Sem outra palavra para mantimento/ Sem outra força onde gerar a voz/ Escada entre o poço que cavaste em mim e a sede/ Que cavaste no meu canto, amo-te/ Sou cítara para tocar as tuas mãos./ Podes dize...

Eu Peneiro o Espírito e Crivo o Ritmo (10)

Eu peneiro o espírito e crivo o ritmo/ Do sangue no amor, o movimento para fora/ O desabrigo completo. Peneiro os múltiplos/ Sentidos da palavra que sopra a sua voz/ Nos pulsos. Crivo a pulsação do c...

Quero a Fome de Calar-me (11)

Quero a fome de calar-me. O silêncio. Único/ Recado que repito para que me não esqueça. Pedra/ Que trago para sentar-me no banquete/ / A única glória no mundo — ouvir-te. Ver/ Quando plantas a vinha,...

Conserto a Palavra (12)

Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio/ Restauro-a/ Dou-lhe um som para que ela fale por dentro/ Ilumino-a/ / Ela é um candeeiro sobre a minha mesa/ Reunida numa forma comparada à lâmpa...

Amo-te como um Planeta em Rotação Difusa (13)

Amo-te como um planeta em rotação difusa/ E quero parar como o servo colado ao chão./ Frágil cerâmica de poros soprados no teu hálito/ Vasilha que ergues em tua mão de oleiro/ Cálice que não pudeste ...

Amo-te na Carne que Tomaste do Chão que Aplaino (14)

Amo-te na carne que tomaste do chão que aplaino/ Com as mãos/ Com as palavras que escrevo e apago/ Na areia, no cérebro./ Amo-te com o cérebro em ferida/ Pensando-te/ Remédio que derramas em mim a tu...


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