Daniel Faria

Portugal
10 Abr 1971 // 9 Jun 1999
Poeta

14 Poemas



Amo-te nesta Ideia Nocturna da Luz nas Mãos (1)

Amo-te nesta ideia nocturna da luz nas mãos/ E quero cair em desuso/ Fundir-me completamente./ Esperar o clarão da tua vinda, a estrela, o teu anjo/ Os focos celestes que a candeia humana não iguala/...

Estranho é o Sono que não te Devolve (2)

Estranho é o sono que não te devolve./ Como é estrangeiro o sossego/ De quem não espera recado./ Essa sombra como é a alma/ De quem já só por dentro se ilumina/ E surpreende/ E por fora é/ Apenas pes...

Tenho Saudades do Calor ó Mãe (3)

Tenho saudades do calor ó mãe que me penteias/ Ó mãe que me cortas o cabelo — o meu cabelo/ Adorna-te muito mais do que os anéis/ / Dá-me um pouco do teu corpo como herança/ Uma porção do teu corpo g...

Explicação da Ausência (4)

Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou/ Não rodou mais para a festa não irrompeu/ Em labareda ou nuvem no coração de ninguém./ A mudança fez-se vazio repetido/ E o a vir a mesma afi...

Amo-te no Intenso Tráfego (5)

Amo-te no intenso tráfego/ Com toda a poluição no sangue./ Exponho-te a vontade/ O lugar que só respira na tua boca/ Ó verbo que amo como a pronúncia/ Da mãe, do amigo, do poema/ Em pensamento./ Com ...

Amo o Caminho que Estendes (6)

Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões./ Ignoro se um pássaro morto continua o seu voo/ Se se recorda dos movimentos migratórios/ E das estações./ Mas não me importo de adoecer no ...

Ausência (7)

Fala/ / Ouvir-te-ei/ Ainda que os segredos/ As amoras me chamem/ / Diz-me/ Que existirão lágrimas para chorar/ Na velhice/ Na solidão/ / Ainda que acordes os olhos dos deuses/ / Fala/ / Ouvir-te-ei/ ...

Conserto a Palavra (8)

Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio/ Restauro-a/ Dou-lhe um som para que ela fale por dentro/ Ilumino-a/ / Ela é um candeeiro sobre a minha mesa/ Reunida numa forma comparada à lâmpa...

Há uma Mulher a Morrer Sentada (9)

Há uma mulher a morrer sentada/ Uma planta depois de muito tempo/ Dorme sossegadamente/ Como cisne que se prepara/ Para cantar/ / Ela está sentada à janela. Sei que nunca/ Mais se levantará para abri...

Sem outra Palavra para Mantimento (10)

Sem outra palavra para mantimento/ Sem outra força onde gerar a voz/ Escada entre o poço que cavaste em mim e a sede/ Que cavaste no meu canto, amo-te/ Sou cítara para tocar as tuas mãos./ Podes dize...

Eu Peneiro o Espírito e Crivo o Ritmo (11)

Eu peneiro o espírito e crivo o ritmo/ Do sangue no amor, o movimento para fora/ O desabrigo completo. Peneiro os múltiplos/ Sentidos da palavra que sopra a sua voz/ Nos pulsos. Crivo a pulsação do c...

Quero a Fome de Calar-me (12)

Quero a fome de calar-me. O silêncio. Único/ Recado que repito para que me não esqueça. Pedra/ Que trago para sentar-me no banquete/ / A única glória no mundo — ouvir-te. Ver/ Quando plantas a vinha,...

Amo-te como um Planeta em Rotação Difusa (13)

Amo-te como um planeta em rotação difusa/ E quero parar como o servo colado ao chão./ Frágil cerâmica de poros soprados no teu hálito/ Vasilha que ergues em tua mão de oleiro/ Cálice que não pudeste ...

Amo-te na Carne que Tomaste do Chão que Aplaino (14)

Amo-te na carne que tomaste do chão que aplaino/ Com as mãos/ Com as palavras que escrevo e apago/ Na areia, no cérebro./ Amo-te com o cérebro em ferida/ Pensando-te/ Remédio que derramas em mim a tu...


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O Coração é o Seu Amigo

O verdadeiro problema reside na mente, porque a mente é formada pela sociedade humana e especialmente projectada para nos manter escravizados. O corpo tem uma beleza própria. Ainda faz parte das árvo...

Eu Acredito na História

Eu acredito na História. Por isso, espero que ela escarre um dia sobre esta época, agoniada de nojo. Será tarde, evidentemente, para que os tartufos de agora sintam o cilindro da justiça a brunir-lhe...
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