Federico García Lorca

Espanha
1898 // 1936
Poeta/Dramaturgo

15 Poemas



Tenho Medo de Perder a Maravilha (1)

Tenho medo de perder a maravilha / de teus olhos de estátua e aquele acento/ que de noite me imprime em plena face/ de teu alento a solitária rosa./ / Tenho pena de ser nesta ribeira/ tronco sem ramo...

Gazel do Amor Desesperado (2)

A noite não quer vir/ para que tu não venhas,/ nem eu possa ir./ / Mas eu irei,/ inda que um sol de lacraus me coma a fronte./ / Mas tu virás/ com a língua queimada pela chuva de sal./ / O dia não qu...

Sinto (3)

Sinto/ que em minhas veias arde/ sangue,/ chama vermelha que vai cozendo/ minhas paixões no coração./ / Mulheres, por favor,/ derramai água:/ quando tudo se queima,/ só as fagulhas voam/ ao vento./ /...

Confusão (4)

Meu coração/ é teu coração?/ Quem me reflexa pensamentos?/ Quem me presta/ esta paixão/ sem raízes?/ Por que muda meu traje/ de cores?/ Tudo é encruzilhada!/ Por que vês no céu/ tanta estrela?/ Irmão...

O Poeta Pede a Seu Amor que lhe Escreva (5)

Meu entranhado amor, morte que é vida, / tua palavra escrita em vão espero/ e penso, com a flor que se emurchece/ que se vivo sem mim quero perder-te./ / O ar é imortal. A pedra inerte/ nem a sombra ...

E Eu te Beijava (6)

E eu te beijava/ sem me dar conta/ de que não te dizia:/ Oh lábios de cereja!/ / Que grande romântica/ eras!/ Bebias vinagre às escondidas/ de tua avó./ Toda te enfeitaste como um/ arbusto de pri...

Este é o Prólogo (7)

Deixaria neste livro/ toda minha alma./ Este livro que viu/ as paisagens comigo/ e viveu horas santas./ / Que compaixão dos livros/ que nos enchem as mãos/ de rosas e de estrelas/ e lentamente passam...

A Casada Infiel (8)

Levei-a comigo ao rio,/ pensando que era donzela,/ porém já tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Os lampiões se apagaram/ e acenderam-se os grilos./ Nas derradeiras esqu...

Ruína (9)

Sem encontrar-se./ Viajante pelo seu próprio torso branco./ Assim ia o ar./ / Logo se viu que a lua/ era uma caveira de cavalo/ e o ar uma maçã escura./ / Detrás da janela,/ com látegos e luzes se se...

Gazel do Amor Imprevisto (10)

O perfume ninguém compreendia/ da escura magnólia de teu ventre./ Ninguém sabia que martirizavas/ entre os dentes um colibri de amor./ / Mil pequenos cavalos persas dormem/ na praça com luar de tua f...

Gazel da Lembrança de Amor (11)

Tua lembrança não leves./ Deixa-a sozinha em meu peito,/ / tremor de alva cerejeira/ no martírio de janeiro./ / Dos que morreram separa-me/ um muro de sonhos maus./ / Dou pena de lírio fresco/ para u...

Gazel do Amor que Não se Deixa Ver (12)

Somente por ouvir/ o sino da Vela/ pus em ti uma coroa de verbena./ / Granada era uma lua/ afogada entre as heras./ / Somente por ouvir/ o sino da Vela/ destrocei meu jardim de Cartagena.

Gazel do Amor Maravilhoso (13)

Com todo o gesso/ dos campos maus,/ eras junco de amor, jasmim molhado./ / Com o sol e chama/ dos céus malvados,/ eras rumor de neve por meu peito./ / Céus e campos/ prendiam correntes em minhas mãos...

Cacida da Mão Impossível (14)

Não quero mais que uma mão,/ mão ferida, se possível./ Não quero mais que uma mão,/ inda que passe noites mil sem cama./ / Seria um lírio pálido de cal,/ uma pomba atada ao meu coração,/ o guarda que...

Cacida da Mulher Estendida (15)

Despida ver-te é recordar a terra./ A terra lisa, limpa de cavalos./ A terra sem um junco, forma pura/ ao futuro cerrada: argêntea fímbria./ / Despida ver-te é compreender a ânsia/ da chuva que procu...


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