Federico García Lorca

Espanha
5 Jun 1898 // 19 Ago 1936
Poeta/Dramaturgo

15 Poemas



Tenho Medo de Perder a Maravilha (1)

Tenho medo de perder a maravilha / de teus olhos de estátua e aquele acento/ que de noite me imprime em plena face/ de teu alento a solitária rosa./ / Tenho pena de ser nesta ribeira/ tronco sem ramo...

Gazel do Amor Desesperado (2)

A noite não quer vir/ para que tu não venhas,/ nem eu possa ir./ / Mas eu irei,/ inda que um sol de lacraus me coma a fronte./ / Mas tu virás/ com a língua queimada pela chuva de sal./ / O dia não qu...

Sinto (3)

Sinto/ que em minhas veias arde/ sangue,/ chama vermelha que vai cozendo/ minhas paixões no coração./ / Mulheres, por favor,/ derramai água:/ quando tudo se queima,/ só as fagulhas voam/ ao vento./ /...

Confusão (4)

Meu coração/ é teu coração?/ Quem me reflexa pensamentos?/ Quem me presta/ esta paixão/ sem raízes?/ Por que muda meu traje/ de cores?/ Tudo é encruzilhada!/ Por que vês no céu/ tanta estrela?/ Irmão...

O Poeta Pede a Seu Amor que lhe Escreva (5)

Meu entranhado amor, morte que é vida, / tua palavra escrita em vão espero/ e penso, com a flor que se emurchece/ que se vivo sem mim quero perder-te./ / O ar é imortal. A pedra inerte/ nem a sombra ...

E Eu te Beijava (6)

E eu te beijava/ sem me dar conta/ de que não te dizia:/ Oh lábios de cereja!/ / Que grande romântica/ eras!/ Bebias vinagre às escondidas/ de tua avó./ Toda te enfeitaste como um/ arbusto de pri...

Este é o Prólogo (7)

Deixaria neste livro/ toda minha alma./ Este livro que viu/ as paisagens comigo/ e viveu horas santas./ / Que compaixão dos livros/ que nos enchem as mãos/ de rosas e de estrelas/ e lentamente passam...

A Casada Infiel (8)

Levei-a comigo ao rio,/ pensando que era donzela,/ porém já tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Os lampiões se apagaram/ e acenderam-se os grilos./ Nas derradeiras esqu...

Ruína (9)

Sem encontrar-se./ Viajante pelo seu próprio torso branco./ Assim ia o ar./ / Logo se viu que a lua/ era uma caveira de cavalo/ e o ar uma maçã escura./ / Detrás da janela,/ com látegos e luzes se se...

Gazel do Amor Imprevisto (10)

O perfume ninguém compreendia/ da escura magnólia de teu ventre./ Ninguém sabia que martirizavas/ entre os dentes um colibri de amor./ / Mil pequenos cavalos persas dormem/ na praça com luar de tua f...

Gazel da Lembrança de Amor (11)

Tua lembrança não leves./ Deixa-a sozinha em meu peito,/ / tremor de alva cerejeira/ no martírio de janeiro./ / Dos que morreram separa-me/ um muro de sonhos maus./ / Dou pena de lírio fresco/ para u...

Gazel do Amor que Não se Deixa Ver (12)

Somente por ouvir/ o sino da Vela/ pus em ti uma coroa de verbena./ / Granada era uma lua/ afogada entre as heras./ / Somente por ouvir/ o sino da Vela/ destrocei meu jardim de Cartagena.

Cacida da Mão Impossível (13)

Não quero mais que uma mão,/ mão ferida, se possível./ Não quero mais que uma mão,/ inda que passe noites mil sem cama./ / Seria um lírio pálido de cal,/ uma pomba atada ao meu coração,/ o guarda que...

Gazel do Amor Maravilhoso (14)

Com todo o gesso/ dos campos maus,/ eras junco de amor, jasmim molhado./ / Com o sol e chama/ dos céus malvados,/ eras rumor de neve por meu peito./ / Céus e campos/ prendiam correntes em minhas mãos...

Cacida da Mulher Estendida (15)

Despida ver-te é recordar a terra./ A terra lisa, limpa de cavalos./ A terra sem um junco, forma pura/ ao futuro cerrada: argêntea fímbria./ / Despida ver-te é compreender a ânsia/ da chuva que procu...


Pesquisa

Facebook

Os Órgãos de Comunicação

Condições da liberdade de pensamento, da existência da opinião pública, do desenvolvimento da consciência da sociedade, da fiscalização dos atos do poder, a livre expressão e o direito à informação e...

A Gente pouco Sabe e pouco Pode

A gente pouco sabe e pouco pode. Conhece apenas duas regras de higiene (que o corpo se recusa a observar), três de moral (que o instinto se recusa a praticar), e uma ou duas de civilidade (que só a p...
Inspirações

A Simples Harmonia