Fernando Echevarría

Portugal
n. 26 Fev 1929
Poeta

18 Poemas

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Amor à Vista (1)

Entras como um punhal/ até à minha vida./ Rasgas de estrelas e de sal/ a carne da ferida./ / Instala-te nas minas./ Dinamita e devora./ Porque quem assassinas/ é um monstro de lágrimas que adora./ / ...

Felizes (2)

Felizes. Porque, ao fundo de si mesmos,/ cheios andam de quanto vão pensando./ E, disso cheios,/ nada mais sabem. Dão para aquele lado/ onde o mundo acabou, mas resta o eco/ de o haverem pensado até ...

Vinham Rosas na Bruma Florescidas (3)

Vinham rosas na bruma florescidas/ rodear no teu nome a sua ausência./ E a si se coroavam, e tingiam/ a apenas sombra de sua transparência./ / Coroavam-se a si. Ou no teu nome/ a mágoa que vestiam ma...

A Solidão é Sempre Fundamento da Liberdade (4)

A solidão é sempre fundamento/ da liberdade. Mas também do espaço/ por onde se desenvolve o alargar do tempo/ à volta da atenção estrita do acto./ Húmus, e alma, é a solidão. E vento,/ quando da imóv...

Qualquer Coisa de Paz (5)

Qualquer coisa de paz. Talvez somente/ a maneira de a luz a concentrar/ no volume, que a deixa, inteira, assente/ na gravidade interior de estar./ / Qualquer coisa de paz. Ou, simplesmente,/ uma ausê...

A Velhice é um Vento (6)

A velhice é um vento que nos toma/ no seu halo feliz de ensombramento./ E em nós depõe do que se deu à obra/ somente o modo de não sentir o tempo,/ senão no ritmo interior de a sombra/ passar à trans...

A Nossa Inteligência as Está Vendo (7)

A nossa inteligência as está vendo/ quando, da luz da sua rodeadas,/ criam a brisa pelo movimento/ com que entram para o espaço das palavras./ Por ora irem mensura ainda o tempo/ de aparecerem zonas ...

Se em Nós a Solidão Viver Sozinha (8)

Se em nós a solidão viver sozinha,/ sem que nada em nós próprios a perturbe,/ cada figura passará rainha/ na antiguidade súbita da urbe./ / Um acento de pena irá na linha/ vincar a eternidade de figu...

O Tempo Vive (9)

O tempo vive, quando os homens, nele,/ se esquecem de si mesmos,/ ficando, embora, a contemplar o estreme/ reduto de estar sendo./ O tempo vive a refrescar a sede/ dos animais e do vento,/ quando a e...

Seria Eterno (10)

Seria eterno, se não fosse entrando/ por aquele país de solidão,/ aonde ver a luz alarga, quando / e alarga, à volta, a vinda do verão./ / Seria eterno. Assim somente o brando/ movimento de entrar se...
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