Fernando Namora

Portugal
15 Abr 1919 // 31 Jan 1989
Escritor/Poeta/Médico

34 Poemas

<< >>

Nome Para Uma Casa (21)

Ossos enxutos de repente as mãos/ sobre o repousado peito entrelaçadas/ como quem adormeceu/ à sombra de uma quieta/ e morosa árvore de copa alargada./ Dos olhos direi que abertos/ para dentro me par...

Nocturno (22)

Uma casa navega no tempo/ como um barco subindo o rio/ Por fim sem marinhagem por fim sem mastreação./ Por fim ancorada nas janelas exorbitadas/ onde as luzes são paisagens lunares/ e o silêncio tem ...

Profecia (23)

Nem me disseram ainda/ para o que vim./ Se logro ou verdade,/ se filho amado ou rejeitado./ Mas sei/ que quando cheguei/ os meus olhos viram tudo/ e tontos de gula ou espanto/ renegaram tudo/ — e no ...

Derramado (24)

Raro e vazio dia./ Calmo e velho dia./ Os membros lassos debruados deste cansaço sem porquê./ / Raro e vazio dia,/ assim inteiro e implacável/ na solidão grave e trágica do meu quarto nu./ / Perdido,...

Poema da Hora Escoada (25)

Minhas mãos/ - duas chamas débeis de vela/ unidas no mesmo destino./ / Minhas mãos/ derretidas em cera/ que vai escorrendo,/ gota a gota,/ ao longo do corpo hirto/ da vela moribunda./ Que vai escorre...

Terra - 3 (26)

Eles subiram o monte com o povo arrebanhado/ e padre-nossos nos lábios./ Eles subiram o monte e eram negros, grandiosos e medonhos./ Vinham de longe e diziam duma verdade nos lábios firmes e finos./ ...

Indução (27)

Há em todas as coisas/ a marca estranha/ da minha presença. / / Sons, palavras, imagens,/ tudo eu desfiguro e torno falso./ / As pessoas, à minha volta,/ deslizam vagamente como sonâmbulos/ - fantoch...

Pilotagem (28)

E os meus olhos rasgarão a noite;/ / E a chuva que vier ferir-me nas vidraças/ Compreenderá, então, a sua inutilidade;/ / E todos os sinos que alimentavam insónias/ hão-de repetir as horas mortas/ só...

Todos os Caminhos me Servem (29)

Todos os caminhos me servem./ Em todos serei o ébrio/ cabeceando nas esquinas./ Uma rua deserta e o hálito/ das pessoas que se escondem,/ uma rua deserta e um rafeiro/ por companheiro./ / Ó mar que m...

Nota Discordante (30)

Porque razão sorri a Natureza à minha volta? / / Reparem na discordância.../ / É como um grito de revolta/ que se solta/ por aí fora.../ / ... e não encontra obstáculo para o eco.../ / Fernando Na...
<< >>

Facebook

Inspirações

Rirmos Juntos

© Copyright 2003-2019 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE