Fernando Pessoa

Portugal
13 Jun 1888 // 30 Nov 1935
Poeta

88 Poemas

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Não Digas Nada! (1)

Não digas nada!/ Nem mesmo a verdade/ Há tanta suavidade em nada se dizer/ E tudo se entender —/ Tudo metade/ De sentir e de ver.../ Não digas nada/ Deixa esquecer/ / Talvez que amanhã/ Em outra pais...

Liberdade (2)

Ai que prazer/ Não cumprir um dever,/ Ter um livro para ler/ E não fazer!/ Ler é maçada,/ Estudar é nada./ Sol doira/ Sem literatura/ O rio corre, bem ou mal,/ Sem edição original./ E a brisa, essa,/...

Tenho Tanto Sentimento (3)

Tenho tanto sentimento/ Que é frequente persuadir-me/ De que sou sentimental,/ Mas reconheço, ao medir-me,/ Que tudo isso é pensamento,/ Que não senti afinal./ / Temos, todos que vivemos,/ Uma vida q...

Entre o Sono e Sonho (4)

Entre o sono e sonho,/ Entre mim e o que em mim/ É o quem eu me suponho/ Corre um rio sem fim./ / Passou por outras margens,/ Diversas mais além,/ Naquelas várias viagens/ Que todo o rio tem./ / Cheg...

Chove. Há Silêncio (5)

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva/ Não faz ruído senão com sossego./ Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva/ Do que não sabe, o sentimento é cego./ Chove. Meu ser (quem sou) renego.../ / Tã...

Como Te Amo (6)

Como te amo? Não sei de quantos modos vários/ Eu te adoro, mulher de olhos azuis e castos;/ Amo-te com o fervor dos meus sentidos gastos;/ Amo-te com o fervor dos meus preitos diários./ / É puro o me...

Feliz Dia para Quem É (7)

Feliz dia para quem é/ O igual do dia,/ E no exterior azul que vê/ Simples confia!/ / Azul do céu faz pena a quem/ Não pode ser/ Na alma um azul do céu também/ Com que viver/ / Ah, e se o verde com q...

Põe-me as Mãos nos Ombros... (8)

Põe-me as mãos nos ombros.../ Beija-me na fronte.../ Minha vida é escombros,/ A minha alma insonte./ / Eu não sei por quê,/ Meu desde onde venho,/ Sou o ser que vê,/ E vê tudo estranho./ / Põe a tua ...

Dorme, que a Vida é Nada! (9)

Dorme, que a vida é nada!/ Dorme, que tudo é vão!/ Se alguém achou a estrada,/ Achou-a em confusão,/ Com a alma enganada./ / Não há lugar nem dia/ Para quem quer achar,/ Nem paz nem alegria/ Para que...

Sorriso Audível das Folhas (10)

Sorriso audível das folhas/ Não és mais que a brisa ali/ Se eu te olho e tu me olhas,/ Quem primeiro é que sorri?/ O primeiro a sorrir ri./ / Ri e olha de repente/ Para fins de não olhar/ Para onde n...

Sonho. Não Sei quem Sou (11)

Sonho. Não sei quem sou neste momento./ Durmo sentindo-me. Na hora calma/ Meu pensamento esquece o pensamento,/ Minha alma não tem alma./ / Se existo é um erro eu o saber. Se acordo/ Par...

Intervalo (12)

Quem te disse ao ouvido esse segredo/ Que raras deusas têm escutado —/ Aquele amor cheio de crença e medo/ Que é verdadeiro só se é segredado?.../ Quem te disse tão cedo?/ / Não fui eu, que te não ou...

Chove. É Dia de Natal (13)

Chove. É dia de Natal./ Lá para o Norte é melhor:/ Há a neve que faz mal,/ E o frio que ainda é pior./ / E toda a gente é contente/ Porque é dia de o ficar./ Chove no Natal presente./ Antes isso que ...

Durmo. Se Sonho, ao Despertar não Sei (14)

Durmo. Se sonho, ao despertar não sei/ Que coisas eu sonhei./ Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto/ Para um espaço aberto/ Que não conheço, pois que despertei/ Para o que inda não sei./ Melhor é nem ...

Mensagem - Mar Português (15)

MAR PORTUGUÊS/ / Possessio Maris/ / I. O Infante/ / Deus quer, o homem sonha, a obra nasce./ Deus quis que a terra fosse toda uma,/ Que o mar unisse, já não separasse./ Sagrou-te, e foste desvendando...

Teus Olhos Entristecem (16)

Teus olhos entristecem/ Nem ouves o que digo./ Dormem, sonham esquecem.../ Não me ouves, e prossigo./ / Digo o que já, de triste,/ Te disse tanta vez.../ Creio que nunca o ouviste/ De tão tua que és....

O que Me Dói não É (17)

O que me dói não é/ O que há no coração/ Mas essas coisas lindas/ Que nunca existirão.../ / São as formas sem forma/ Que passam sem que a dor/ As possa conhecer/ Ou as sonhar o amor./ / São como se a...

A Morte Chega Cedo (18)

A morte chega cedo,/ Pois breve é toda vida/ O instante é o arremedo/ De uma coisa perdida./ / O amor foi começado,/ O ideal não acabou,/ E quem tenha alcançado/ Não sabe o que alcançou./ / E tudo is...

Não: não Digas Nada! (19)

Não: não digas nada!/ Supor o que dirá/ A tua boca velada/ É ouvi-lo já/ / É ouvi-lo melhor/ Do que o dirias./ O que és não vem à flor/ Das frases e dos dias./ / És melhor do que tu./ Não digas nada:...

As Minhas Ansiedades (20)

As minhas ansiedades caem/ Por uma escada abaixo./ Os meus desejos balouçam-se/ Em meio de um jardim vertical./ / Na Múmia a posição é absolutamente exata./ / Música longínqua,/ Música excessivamente...
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