Filinto Elísio

Portugal
23 Dez 1734 // 25 Fev 1819
Poeta/Tradutor

14 Poemas



Ode à Amizade (1)

Se depois do infortúnio de nascermos/ Escravos da Doença e dos Pesares/ Alvos de Invejas, alvos de Calúnias/ Mostrando-nos a campa/ A cada passo aberta o Mar e a Terra;/ Um raio despedido, fuzila...

Uns Lindos Olhos, Vivos, Bem Rasgados (2)

Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,/ Um garbo senhoril, nevada alvura;/ Metal de voz que enleva de doçura,/ Dentes de aljôfar, em rubi cravados:/ / Fios de ouro, que enredam meus cuida...

À Minha Morte (3)

Sei, que um dia fatal me espera, e talha/ A minha vida o estame:/ Nem Prosérpina evita uma só frente./ Sei que vivi: mas quando/ Tem de soltar-se, ignoro, o vivo laço;/ E se claros, ou tu...

Ode à Esperança (4)

1/ / Vem, vem, doce Esperança, único alívio/ Desta alma lastimada;/ Mostra, na c'roa, a flor da Amendoeira,/ Que ao Lavrador previsto,/ Da Primavera próxima dá novas./ / 2/ / Vem, vem, doce E...

Usos Deste Mundo (5)

Nas praças uns perguntam novidades;/ Outros dão volta às ruas, ao namoro;/ Este usuras cobrar, esse as demandas/ Lembrar corre ao Juiz que se diverte./ Ir de Jano aprender a ser bifronte,/ De Mercúri...

Tem a Virtude o Prémio (6)

Tardio às vezes, sempre merecido,/ Tem a Virtude o prémio aparelhado/ Ao profícuo talento, ao peito honrado,/ Que do dever o stádio tem corrido./ / O Sábio, que dos louros esquecido/ ...

Que Mimoso Prazer! (7)

1/ / Que mimoso prazer! Teu rosto amado/ Me raiou na alma! Oh astro meu luzente!/ Desfez-se em continente/ O negrume cerrado,/ Que me assombrava o coração aflito,/ Em saudades tristíssimas so...

Nos Foge o Tempo (8)

Se mais que aéreas nuvens pressuroso,/ Se mais que inquietas ondas inconstante,/ Nos foge o Tempo; é inútil o saudoso/ Pranto, dado a quem foge; eu incessante/ Quero abarcar, e com ardor ansioso/ Ent...

Moralidade (9)

É nosso coração vorage imensa,/ Em que Honras, Cargos, lúbrica Ventura/ São dos Desejos vagos a mantença,/ Que, gozados, os manda à sepultura,/ Para abrir nova boca à turba densa/ De prazeres de nova...

Saudade Extrema (10)

1/ / Gentil Rola, que sobre o ramo seco,/ Desse viúvo freixo, brandas queixas/ Espalhas toda a noite, e escutas o eco/ Repetir-te mavioso iguais endechas:/ / 2/ / Não chores. Ouve a meu s...

Prazer! Prazer! oh Falso, oh Bandoleiro! (11)

«Prazer! Prazer! oh falso, oh bandoleiro!/ Que fugindo te ausentas/ De nós, sem saudade, e tão ligeiro:/ As penas nos aumentas,/ Se, mal que te acolhemos, já nos deixas»./ Eis que o lindo Pra...

Desafogo (12)

Onde estás, oh Filósofo indefesso/ Pio sequaz da rígida Virtude,/ Tão terna a alheios, quanto a si severa?/ Com que mágoa, com que ira olharas hoje/ Desprezada dos homens, e esquecida/ Aquela ânsia, ...

Quando a Fortuna Encetou com Desgraças (13)

Quando a Fortuna, de inconstante aviso,/ Encetou com desgraças/ O varão que não veio humilde, abjecto/ Adorar o seu Nume,/ Na refalsada Corte, ou ante os cofres/ Chapeados de Pluto;/ Leva...

Tinha de Fachos Mil a Noite Ornado (14)

1/ / Tinha de fachos mil a noite ornado/ A argentada Princesa:/ De amor, graça e beleza/ O campo etéreo Vénus povoado./ / 2/ / A Terra, com perfume precioso/ Em torno recendia;/ E plá...


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