Florbela Espanca

Portugal
8 Dez 1894 // 8 Dez 1930
Poetisa

135 Poemas

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Se Tu Viesses Ver-me... (1)

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,/ A essa hora dos mágicos cansaços,/ Quando a noite de manso se avizinha,/ E me prendesses toda nos teus braços.../ / Quando me lembra: esse sabor que tinha/ A tu...

Saudades (2)

Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?.../ Se o sonho foi tão alto e forte/ Que pensara vê-lo até à morte/ Deslumbrar-me de luz o coração!/ / Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!/ Que tudo isso, A...

Amar! (3)

Eu quero amar, amar perdidamente!/ Amar só por amar: Aqui... além.../ Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente.../ Amar! Amar! E não amar ninguém!/ / Recordar? Esquecer? Indiferente!.../ Prender ou...

Falo de Ti às Pedras das Estradas (4)

Falo de ti às pedras das estradas,/ E ao sol que e louro como o teu olhar,/ Falo ao rio, que desdobra a faiscar,/ Vestidos de princesas e de fadas;/ / Falo às gaivotas de asas desdobradas,/ Lembrando...

Horas Rubras (5)

Horas profundas, lentas e caladas/ Feitas de beijos rubros e ardentes,/ De noites de volúpia, noites quentes/ Onde há risos de virgens desmaiadas.../ / Oiço olaias em flor às gargalhadas.../ Tombam a...

Perdi os Meus Fantásticos Castelos (6)

Perdi meus fantásticos castelos/ Como névoa distante que se esfuma.../ Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:/ Quebrei as minhas lanças uma a uma!/ / Perdi minhas galeras entre os gelos/ Que se a...

A Vida (7)

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;/ Inútil o desejo e o sentimento.../ Lançar um grande amor aos pés d'alguém/ O mesmo é que lançar flores ao vento!/ / Todos somos no mundo Pedro Sem ,/ Uma alegria ...

De Joelhos (8)

“Bendita seja a Mãe que te gerou.”/ Bendito o leite que te fez crescer/ Bendito o berço aonde te embalou/ A tua ama, pra te adormecer!/ / Bendita essa canção que acalentou/ Da tua vida o doce alvorec...

Doce Certeza (9)

Por essa vida fora hás-de adorar/ Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,/ Em infinito anseio hás de beijar/ Estrelas d´ouro fulgindo em muita boca!/ / Hás de guardar em cofre perfumado/ Cabelos d´o...

Eu (10)

Até agora eu não me conhecia,/ julgava que era Eu e eu não era/ Aquela que em meus versos descrevera/ Tão clara como a fonte e como o dia./ / Mas que eu não era Eu não o sabia/ mesmo que o soubesse, ...

Eu (11)

Eu sou a que no mundo anda perdida,/ Eu sou a que na vida não tem norte,/ Sou a irmã do Sonho, e desta sorte/ Sou a crucificada ... a dolorida .../ / Sombra de névoa ténue e esvaecida,/ E que o desti...

Frémito do Meu Corpo a Procurar-te (12)

Frémito do meu corpo a procurar-te,/ Febre das minhas mãos na tua pele/ Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,/ Doído anseio dos meus braços a abraçar-te,/ / Olhos buscando os teus por toda a parte,...

A Nossa Casa (13)

A nossa casa, Amor, a nossa casa!/ Onde está ela, Amor, que não a vejo?/ Na minha doida fantasia em brasa/ Constrói-a, num instante, o meu desejo!/ / Onde está ela, Amor, a nossa casa,/ O bem que nes...

Mentiras (14)

Ai quem me dera uma feliz mentira/ que fosse uma verdade para mim!/ J. DANTAS/ / Tu julgas que eu não sei que tu me mentes/ Quando o teu doce olhar pousa no meu?/ Pois julgas que eu não sei o ...

Quem? (15)

Não sei quem és. Já não te vejo bem.../ E ouço-me dizer (ai, tanta vez!...)/ Sonho que um outro sonho me desfez?/ Fantasma de que amor? Sombra de quem?/ / Névoa? Quimera? Fumo? Donde vem?.../ - Não s...

Fanatismo (16)

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida./ Meus olhos andam cegos de te ver./ Não és sequer razão do meu viver/ Pois que tu és já toda a minha vida!/ / Não vejo nada assim enlouquecida.../ Passo no mund...

O Teu Olhar (17)

Passam no teu olhar nobres cortejos,/ Frotas, pendões ao vento sobranceiros,/ Lindos versos de antigos romanceiros,/ Céus do Oriente, em brasa, como beijos,/ / Mares onde não cabem teus desejos;/ Pas...

Realidade (18)

Em ti o meu olhar fez-se alvorada,/ E a minha voz fez-se gorjeio de ninho,/ E a minha rubra boca apaixonada/ Teve a frescura pálida do linho./ / Embriagou-me o teu beijo como um vinho/ Fulvo de Espan...

Diz-me, Amor, como Te Sou Querida (19)

Dize-me, amor, como te sou querida,/ Conta-me a glória do teu sonho eleito,/ Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,/ Arranca-me dos pântanos da vida./ / Embriagada numa estranha lida,/ Trago nas mãos...

Da Minha Janela (20)

Mar alto! Ondas quebradas e vencidas/ Num soluçar aflito, murmurado.../ Vôo de gaivotas, leve, imaculado,/ Como neves nos píncaros nascidas!/ / Sol! Ave a tombar, asas já feridas,/ Batendo ainda num ...
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