Florbela Espanca

Portugal
8 Dez 1894 // 8 Dez 1930
Poetisa

135 Poemas

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A Tua Voz de Primavera (21)

Manto de seda azul, o céu reflete/ Quanta alegria na minha alma vai!/ Tenho os meus lábios úmidos: tomai/ A flor e o mel que a vida nos promete!/ / Sinfonia de luz meu corpo não repete/ O ritmo e a c...
A Mensageira das Violetas

Suavidade (22)

Poisa a tua cabeça dolorida/ Tão cheia de quimeras, de ideal/ Sobre o regaço brando e maternal/ Da tua doce Irmã compadecida./ / Hás de contar-me nessa voz tão q'rida/ Tua dor infantil e irreal,/ E e...
Livro de Sóror Saudade

Da Minha Janela (23)

Mar alto! Ondas quebradas e vencidas/ Num soluçar aflito, murmurado.../ Vôo de gaivotas, leve, imaculado,/ Como neves nos píncaros nascidas!/ / Sol! Ave a tombar, asas já feridas,/ Batendo ainda num ...
Livro de Sóror Saudade

O Nosso Livro (24)

Livro do meu amor, do teu amor,/ Livro do nosso amor, do nosso peito.../ Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,/ Como se fossem pétalas de flor./ / Olha que eu outro já não sei compor/ Mais santament...
Livro de Sóror Saudade

Ser Poeta (25)

Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior/ Do que os homens! Morder como quem beija!/ É ser mendigo e dar como quem seja/ Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!/ / É ter de mil desejos o esplendor/ E não ...
Charneca em Flor

Os Versos que Te Fiz (26)

Deixa dizer-te os lindos versos raros/ Que a minha boca tem pra te dizer!/ São talhados em mármore de Paros/ Cinzelados por mim pra te oferecer./ / Têm dolências de veludos caros,/ São como sedas bra...
Livro de Sóror Saudade

Tarde Demais... (27)

Quando chegaste enfim, para te ver/ Abriu-se a noite em mágico luar;/ E pra o som de teus passos conhecer/ Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar.../ / Chegaste enfim! Milagre de endoidar!/ Viu-se ne...
Livro de Sóror Saudade

Ambiciosa (28)

Para aqueles fantasmas que passaram,/ Vagabundos a quem jurei amar,/ Nunca os meus braços lânguidos traçaram/ O vôo dum gesto para os alcançar.../ / Se as minhas mãos em garra se cravaram/ Sobre um a...
Charneca em Flor

Aos Olhos Dele (29)

Não acredito em nada. As minhas crenças/ Voaram como voa a pomba mansa,/ Pelo azul do ar. E assim fugiram o/ As minhas doces crenças de criança./ / Fiquei então sem fé; e a toda gente/ Eu digo sempre...
A Mensageira das Violetas

O Maior Bem (30)

Este querer-te bem sem me quereres,/ Este sofrer por ti constantemente,/ Andar atrás de ti sem tu me veres/ Faria piedade a toda a gente./ / Mesmo a beijar-me a tua boca mente.../ Quantos sangrentos ...
A Mensageira das Violetas

O Nosso Mundo (31)

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos/ Como um divino vinho de Falerno!/ Poisando em ti o meu amor eterno/ Como poisam as folhas sobre os lagos.../ / Os meus sonhos agora são mais vagos.../ O teu o...
Livro de Sóror Saudade

Anseios (32)

Meu doido coração aonde vais,/ No teu imenso anseio de liberdade?/ Toma cautela com a realidade;/ Meu pobre coração olha cais!/ / Deixa-te estar quietinho! Não amais/ A doce quietação da soledade?/ T...
A Mensageira das Violetas

Não Ser (33)

Quem me dera voltar à inocência/ Das coisas brutas, sãs, inanimadas,/ Despir o vão orgulho, a incoerência:/ - Mantos rotos de estátuas mutiladas!/ / Ah! arrancar às carnes laceradas/ Seu mísero segre...
Charneca em Flor

Vaidade (34)

Sonho que sou a Poetisa eleita,/ Aquela que diz tudo e tudo sabe,/ Que tem a inspiração pura e perfeita,/ Que reúne num verso a imensidade!/ / Sonho que um verso meu tem claridade/ Para encher todo o...
Livro de Mágoas

Charneca em Flor (35)

Enche o meu peito, num encanto mago,/ O frêmito das coisas dolorosas.../ Sob as urzes queimadas nascem rosas.../ Nos meus olhos as lágrimas apago.../ / Anseio! Asas abertas! O que trago/ Em mim? Eu o...
Charneca em Flor

Trazes-me em Tuas Mãos de Vitorioso (36)

Trazes-me em tuas mãos de vitorioso/ Todos os bens que a vida me negou,/ E todo um roseiral, a abrir, glorioso/ Que a solitária estrada perfumou./ / Neste meio-dia límpido, radioso,/ Sinto o teu cora...
A Mensageira das Violetas

Errante (37)

Meu coração da cor dos rubros vinhos/ Rasga a mortalha do meu peito brando/ E vai fugindo, e tonto vai andando/ A perder-se nas brumas dos caminhos./ / Meu coração o místico profeta,/ O paladino auda...
A Mensageira das Violetas

Crepúsculo (38)

Teus olhos, borboletas de oiro, ardentes/ Batendo as asas leves, irisadas,/ Poisam nos meus, suaves e cansadas/ Como em dois lírios roxos e dolentes.../ / E os lírios fecham... Meu Amor, não sentes?/...
Livro de Sóror Saudade

Versos (39)

Versos! Versos! Sei lá o que são versos.../ Pedaços de sorriso, branca espuma,/ Gargalhadas de luz, cantos dispersos,/ Ou pétalas que caem uma a uma.../ / Versos!... Sei lá! Um verso é o teu olhar,/ ...
A Mensageira das Violetas

À Tua Porta Há um Pinheiro Manso (40)

À tua porta há um pinheiro manso/ De cabeça pendida, a meditar,/ Amor! Sou eu, talvez, a contemplar/ Os doces sete palmos do descanso./ / Sou eu que para ti atiro e lanço,/ Como um grito, meus ramos ...
A Mensageira das Violetas
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Fartamo-nos Sempre dos Pesadelos dos Outros

Fartamo-nos sempre dos pesadelos dos outros e dos gritos no quarto ao lado pela madrugada, sejam de quem forem. Conseguimos ouvir durante um tempo, segurar na mão, esquecer as horas, oferecer um calm...

A Necessidade de Conversar

Nos jornais, em conversas, no escritório, a impetuosidade da linguagem leva por vezes uma pessoa a perder-se, daí a esperança, que salta da fraqueza temporária, de uma repentina e mais forte iluminaç...
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