Hilda Hilst

Brasil
21 Abr 1930 // 4 Fev 2004
Poeta/Cronista/Dramaturga

16 Poemas



Ama-me (1)

Aos amantes é lícito a voz desvanecida./ Quando acordares, um só murmúrio sobre o teu ouvido:/ Ama-me. Alguém dentro de mim dirá: não é tempo, senhora,/ Recolhe tuas papoulas, teus narcisos. Não vês/...

Toma-me (2)

Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca/ Austera. Toma-me AGORA, ANTES/ Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes/ Da morte, amor, da minha morte, toma-me/ Crava a tua mão, respira me...

Tateio (3)

Tateio. A fronte. O braço. O ombro./ O fundo sortilégio da omoplata./ Matéria-menina a tua fronte e eu/ Madurez, ausência nos teus claros/ Guardados./ / Ai, ai de mim. Enquanto caminhas/ Em lúcida al...

A Vida é Líquida (4)

É crua a vida. Alça de tripa e metal./ Nela despenco: pedra mórula ferida./ É crua e dura a vida. Como um naco de víbora./ Como-a no livro da língua/ Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me/ No e...

Atravessaremos Juntos as Grandes Espirais (5)

Que boca há de roer o tempo? Que rosto/ Há de chegar depois do meu? Quantas vezes/ O tule do meu sopro há de pousar/ Sobre a brancura fremente do teu dorso?/ / Atravessaremos juntos as grandes espira...

Tenta-me de Novo (6)

E por que haverias de querer minha alma/ Na tua cama?/ Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas/ Obscenas, porque era assim que gostávamos./ Mas não menti gozo prazer lascívia/ Nem omiti que a al...

Desde Sempre em Mim (7)

Contente. Contente do instante/ Da ressurreição, das insônias heróicas/ / Contente da assombrada canção/ Que no meu peito agora se entrelaça./ Sabes? O fogo iluminou a casa./ E sobre a claridade do c...

Que este Amor não me Cegue (8)

Que este amor não me cegue nem me siga./ E de mim mesma nunca se aperceba./ Que me exclua do estar sendo perseguida/ E do tormento/ De só por ele me saber estar sendo./ Que o olhar não se perca nas t...

Se Te Pertenço (9)

Se te pertenço, separo-me de mim./ Perco meu passo nos caminhos de terra/ E de Dionísio sigo a carne, a ebriedade./ Se te pertenço perco a luz e o nome/ E a nitidez do olhar de todos os começos:/ O q...

Lembra-te que há um Querer Doloroso (10)

Lembra-te que há um querer doloroso/ E de fastio a que chamam de amor./ E outro de tulipas e de espelhos/ Licencioso, indigno, a que chamam desejo./ Há o caminhar um descaminho, um arrastar-se/ Em di...

Colada à Tua Boca (11)

Colada à tua boca a minha desordem./ O meu vasto querer./ O incompossível se fazendo ordem./ Colada à tua boca, mas descomedida/ Árdua/ Construtor de ilusões examino-te sôfrega/ Como se fosses morrer...

Existe a Noite (12)

Existe a noite, e existe o breu./ Noite é o velado coração de Deus/ Esse que por pudor não mais procuro./ Breu é quando tu te afastas ou dizes/ Que viajas, e um sol de gelo/ Petrifica-me a cara e des...

Porque Há Desejo em Mim (13)

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância./ Antes, o cotidiano era um pensar alturas/ Buscando Aquele Outro decantado/ Surdo à minha humana ladradura./ Visgo e suor, pois nunca se faziam./ Hoje, de...

Ver-te. Tocar-te (14)

Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras./ Que desenhos e rictus na tua cara/ Como os frisos veementes dos tapetes antigos./ Que sombrio te tornas se repito/ O sinuoso caminho que persigo: um desejo/...

Vinda do Fundo (15)

Vinda do fundo, luzindo/ Ou atadura, escondendo,/ Vindo escura/ Ou pegajosa lambendo/ Vinda do alto/ / Ou das ferraduras/ Memoriosa se dizendo/ Calada ou nova/ Vinda da coitadez/ Ou régia numas escad...

Te Baptizar de Novo (16)

Te baptizar de novo./ Te nomear num trançado de teias/ E ao invés de Morte/ Te chamar Insana/ Fulva/ Feixe de flautas/ Calha/ Candeia/ Palma, porque não?/ Te recriar nuns arco-íri...


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