João Cabral de Melo Neto

Brasil
9 Jan 1920 // 9 Out 1999
Poeta/Diplomata

11 Poemas

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O Fogo no Canavial (1)

A imagem mais viva do inferno./ Eis o fogo em todos seus vícios:/ eis a ópera, o ódio, o energúmeno,/ a voz rouca de fera em cio./ / E contagioso, como outrora/ foi, e hoje não é mais, o inferno:/ el...

Tio e Sobrinho (2)

À memória de/ Manoel José da Costa Filho/ / 1./ / Onde a Mata bem penteada/ do trópico açucareiro,/ o tio-afim, mais a fim/ que outros de sangue e de texto,/ dava ao sobrinho menino/ atenção ...

Autobiografia de um Só Dia (3)

A Maria Dulce e Luiz Tavares/ / No Engenho Poço não nasci:/ minha mãe, na véspera de mim,/ / veio de lá para a Jaqueira,/ que era onde, queiram ou não queiram,/ / os netos tinham de nascer,/ n...

O Ferrageiro de Carmona (4)

Um ferrageiro de Carmona/ que me informava de um balcão:/ «Aquilo? É de ferro fundido,/ foi a fôrma que fez, não a mão./ / Só trabalho em ferro forjado/ que é quando se trabalha ferro;/ então, corpo ...

O Último Poema (5)

Não sei quem me manda a poesia/ nem se Quem disso a chamaria./ / Mas quem quer que seja, quem for/ esse Quem (eu mesmo, meu suor?),/ / seja mulher, paisagem ou o não/ de que há preencher os vãos,/ / ...

A Augusto de Campos (6)

Ao tentar passar a limpo,/ refazer, dar mais decoro/ ao gago em que falo em verso/ e em que tanto me rechovo,/ pensei que de toda a gente/ que a nosso ofício ou esforço,/ tão pra nada, dá-se tanto/ q...

Descoberta da Literatura (7)

No dia-a-dia do engenho,/ toda a semana, durante,/ cochichavam-me em segredo:/ saiu um novo romance./ E da feira do domingo/ me traziam conspirantes/ para que os lesse e explicasse/ um romance de bar...

O Que Se Diz ao Editor a Propósito de Poemas (8)

Eis mais um livro (fio que o último)/ de um incurável pernambucano;/ se programam ainda publicá-lo,/ digam-me, que com pouco o embalsamo./ / E preciso logo embalsamá-lo:/ enquanto ele me conviva, viv...

O Autógrafo (9)

Calma ao copiar estes versos/ antigos: a mão já não treme/ nem se inquieta; não é mais a asa/ no vôo interrogante do poema./ A mão já não devora/ tanto papel; nem se refreia/ na letra miúda e desenha...

Rios sem Discurso (10)

Quando um rio corta, corta-se de vez/ o discurso-rio de água que ele fazia;/ cortado, a água se quebra em pedaços,/ em poços de água, em água paralítica./ Em situação de poço, a água equivale/ a uma ...
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