João de Deus

Portugal
1830 // 1896
Poeta/Pedagogo

37 Poemas

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Beijo (1)

Beijo na face/ Pede-se e dá-se:/ Dá?/ Que custa um beijo?/ Não tenha pejo:/ Vá!/ / Um beijo é culpa,/ Que se desculpa:/ Dá?/ A borboleta/ Beija a violeta:/ ...

O Dinheiro (2)

O dinheiro é tão bonito,/ Tão bonito, o maganão!/ Tem tanta graça, o maldito,/ Tem tanto chiste, o ladrão!/ O falar, fala de um modo.../ Todo ele, aquele todo.../ E elas acham-no tão guapo!/ Velhinha...

Mãe e Filho (3)

Primícias do meu amor!/ Meu filhinho do meu seio/ Tenro fruto que à luz veio/ Como à luz da aurora a flor!/ / Na tua face inocente,/ De teu pai a face beijo,/ E em teus olhos, filho, vejo/ Como Deus ...

Amo-te Muito, Muito! (4)

Amo-te muito, muito!/ Reluz-me o paraíso/ Num teu olhar fortuito,/ Num teu fugaz sorriso!/ / Quando em silêncio finges/ Que um beijo foi furtado/ E o rosto desmaiado/ De cor-de-rosa tinges,/ / Dir-se...

Melancolia (5)

Oh dôce luz! oh lua!/ Que luz suave a tua,/ E como se insinua/ Em alma que fluctua/ De engano em desengano!/ Oh creação sublime!/ A tua luz reprime/ As tentações do crime,/ E á dôr que nos opprime...

A Caridade (6)

Eu podia falar todas as línguas/ Dos homens e dos anjos;/ Logo que não tivesse caridade,/ Já não passava de um metal que tine,/ De um sino vão que soa./ / Podia ter o dom ...

Primeiro Amor (7)

Ó Mãe... de minha mãe!/ Explica-me o segredo/ Que eu mesmo a Deus sem medo/ Não ia confessar:/ Aquele seu olhar/ Persegue-me, e receio,/ Pressinto no meu seio/ Ergue-se-me outro altar!/ / Eu em o ven...

Avarento (8)

Puxando um avarento de um pataco/ Para pagar a tampa de um buraco/ Que tinha já nas abas do casaco,/ Levanta os olhos, vê o céu opaco,/ Revira-os fulo e dá com um macaco/ Defronte, numa loja de tabac...

Amigo Velho (9)

(A Martins de Carvalho num dia dos seus anos)/ / Uma vez encontrámo-nos os dois/ Nesse mar da política; depois,/ Como diversa bússola nos guia,/ Cada qual foi seu rumo: todavia,/ Em certas almas nunc...

Perdão! (10)

Seria o beijo/ Que te pedi,/ Dize, a razão/ (outra não vejo)/ Por que perdi/ Tanta afeição?/ Fiz mal, confesso;/ Mas esse excesso,/ Se o cometi,/ Foi por paixão,/ Sim, por amor/ De quem?... de ti!/ /...

Saudade (11)

Tu és o cálix;/ Eu, o orvalho!/ Se me não vales,/ Eu o que valho?/ / Eu se em ti caio/ E me acolheste/ Torno-me um raio/ De luz celeste!/ / Tu és o collo/ Onde me embalo,/ E acho consolo,/ Mimo e reg...

Anseio (12)

Oh, quem me dera embalado/ Nesse berço vaporoso,/ Nuvens do céu azulado.../ Onde os meus olhos repouso/ Já de tanto olhar cansado!/ / De tanto olhar à procura/ De um bem que o fosse deveras;/ De uma ...

Paixão (13)

Supõe que de uma praia, rocha ou monte,/ Com essa vista embaciada e turva/ Que dá aos olhos entranhável dor,/ Tinhas podido ver transpor a curva/ Pouco a pouco do líquido horizonte/ A barca saudosa q...

Amores, Amores (14)

Não sou eu tão tola/ Que caia em casar;/ Mulher não é rola/ Que tenha um só par:/ Eu tenho um moreno,/ Tenho um de outra cor,/ Tenho um mais pequeno,/ Tenho outro maior./ / Que mal faz um beijo,...

Amor (15)

Não vês como eu sigo/ Teus passos, não vês?/ O cão do mendigo/ Não é mais amigo/ Do dono talvez!/ / Ao pé de uma fonte/ No fundo de um vale,/ No alto de um monte/ Do vasto horizonte,/ Sem ti estou ma...

Sol do Meu Dia (16)

Se eu fosse nuvem tinha imensa mágoa/ Não te servindo de asas maternais/ Que te pudessem abrigar da água/ Que chovesse das mais!/ / E sendo eu onda, tinha mágoa suma/ Não te podendo a ti,...

Attracção (17)

Meus olhos sempre inquietos/ Que posso até dizer,/ Só acham n'alma objectos/ Que os possam entreter;/ / Meus olhos... coisa rara!/ Porque hão de em ti parar/ Como a corrente pára/ Em encontrando ...

Escreve! (18)

Não sei o que supor/ Do teu silêncio. Escreve!/ Quem é amado deve/ Ser grato ao menos, flor!/ / Se eu fosse tão feliz/ Que te falasse um dia,/ De viva voz diria/ Mais do que a carta diz./ / Mas olha,...

Sympatia (19)

Olhas-me tu/ Constantemente:/ D'ahi concluo/ Que essa alma sente!.../ Que ama, não zomba,/ Como é vulgar;/ Que é uma pomba/ Que busca o par!.../ / Pois ouve; eu gemo/ De te não vêr!/ E em vendo, tr...

Amor Místico (20)

Quando a minha alma nasceu/ Para onde olhou primeiro,/ E viu tudo um nevoeiro,/ Foi lá cima para o céu.../ Que a alma nunca lhe passa/ De ideia a fonte da graça!/ / Em toda a ânsia de luz,/ Em t...
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