João de Deus

Portugal
8 Mar 1830 // 11 Jan 1896
Poeta/Pedagogo

38 Poemas

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Sympatia (21)

Olhas-me tu/ Constantemente:/ D'ahi concluo/ Que essa alma sente!.../ Que ama, não zomba,/ Como é vulgar;/ Que é uma pomba/ Que busca o par!.../ / Pois ouve; eu gemo/ De te não vêr!/ E em vendo, tr...

Amor Místico (22)

Quando a minha alma nasceu/ Para onde olhou primeiro,/ E viu tudo um nevoeiro,/ Foi lá cima para o céu.../ Que a alma nunca lhe passa/ De ideia a fonte da graça!/ / Em toda a ânsia de luz,/ Em t...

Não Sei o que Ha de Vago (23)

Não sei o que ha de vago,/ Incoercivel, puro,/ No vôo em que divago/ Á tua busca, amor!/ No vôo em que procuro/ O balsamo, o aroma,/ Que, se uma fórma toma,/ É de impalpavel flôr!/ / Oh como te eu as...

A um Retrato (24)

Amo-te, flor! Se te amo, Deus que o sabe/ Que o diga a teus irmãos, que o Céu povoam/ E ébrios de glória cânticos entoam/ A quem no mar, na Terra e Céus não cabe./ / Se te amo, flor! que o diga o mar...

Não! (25)

Tenho-te muito amor,/ E amas-me muito, creio:/ Mas ouve-me, receio/ Tomar-te desgraçada:/ O homem, minha amada,/ Não perde nada, goza;/ Mas a mulher é rosa.../ Sim, a mulher é flor!/ / Ora e a flor, ...

Adeus Tranças Cor de Ouro (26)

Adeus tranças cor de ouro,/ Adeus peito cor de neve!/ Adeus cofre onde estar deve/ Escondido o meu tesouro!/ / Adeus bonina, adeus lírio/ Do meu exílio de abrolhos!/ Adeus, ó luz dos meus olhos/ E me...

Cantigas (27)

Quando vejo a minha amada/ Parece que o Sol nasceu;/ Cantai, cantai alvorada/ Ó avezinhas do céu./ / Nessas águas do Mondego/ Se pode a gente mirar,/ Elas procuram sossego.../ E vão caminho do mar./ ...

Espera! (28)

Uivaria de amor a féra bruta/ Que pela grenha te sentisse a mão!/ E eu não sou féra, pomba! Espera! Escuta!/ Eu tenho coração!/ / Não é mais preto o ébano que as tranças/ Que adornam o teu col...

Sempre! (29)

Pensas que te não vejo a ti? Bom era!/ Gravei tão vivamente n'alma a dôce/ E bella imagem tua, que eu quizera/ Deixar de contemplar-te, só que fosse/ Um momento, e não posso, não consigo!/ / Foges-me...

O Seu Nome (30)

I/ / Ella não sabe a luz suave e pura/ Que derrama n'uma alma acostumada/ A não vêr nunca a luz da madrugada/ Vir raiando senão com amargura!/ / Não sabe a avidez com que a procura/ Ver esta vista, d...

N'um Album (31)

É esta vida um mar; e n'este mar/ Qual é o astro que nos alumia?/ Que norte, estrella ou bussola nos guia?/ Um olhar de mulher! um terno olhar!/ / João de Deus, in 'Ramo de Flores'...

Lamento (32)

Senhor! Senhor! que um ai nunca me ouviste/ Na minha dôr!/ Ai vida, vida minha, como és triste!.../ Senhor! Senhor!/ / Quando eu nasci, o sol cobriu o rosto/ Mal que eu ...

Desânimo (33)

Que mimos me confortam?/ Que doce luz me acena?/ Eu tenho muita pena/ De ter nascido até!/ / Quizera antes ao pé/ D'uma arvore frondosa/ Ter já em cima a lousa/ E descançar emfim!/ / Alli, nem tu de ...

11 de Maio (34)

Se eu fosse nuvem tinha immensa magoa/ Não te servindo d'azas maternaes/ Que te podessem abrigar da agoa/ Que chovesse das mais!/ / E sendo eu onda, tinha magoa summa/ Não te podendo a ti, mulhe...

Adeus (35)

A ti, que em astros desenhei nos céos,/ A ti, que em nuvens desenhei nos ares,/ A ti, que em ondas desenhei nos mares,/ A ti, bom anjo! o derradeiro adeus!/ / Parto! Se um dia (que é possivel flôr!)/...

Enlevo (36)

Não brilha o sol,/ Nem póde a lua/ Brilhar na sua/ Presença d'ella!../ Nenhuma estrella/ Brilha deante/ Da minha amante,/ Da minha amada!/ / A madrugada/ Quanto não perde!/ O campo verde/ Quanto esmo...

Sêde de Amor (37)

I/ / Vi-te uma vez e (novo/ Extranho caso foi!)/ Por entre tanto povo.../ Tanta mulher... Suppõe/ / Que mãe estremecida/ Via o seu filho andar/ Sobre muralha erguida,/ Onde o fizesse ir dar/ / Aquell...

Dúvida (38)

Amas-me a mim? Perdoa,/ É impossível! Não,/ Não há quem se condoa/ Da minha solidão./ / Como podia eu, triste,/ Ah! inspirar-te amor/ Um dia que me viste,/ Se é que me viste... flor!/ / Tu, bela, fre...
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