Joaquim Maria Machado de Assis

Brasil
1839 // 1908
Escritor

30 Poemas

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Menina e Moça (1)

Está naquela idade inquieta e duvidosa,/ Que não é dia claro e é já o alvorecer;/ Entreaberto botão, entrefechada rosa,/ Um pouco de menina e um pouco de mulher./ / Às vezes recatada, outras estouvad...

Quando Ela Fala (2)

Quando ela fala, parece/ Que a voz da brisa se cala;/ Talvez um anjo emudece/ Quando ela fala./ / Meu coração dolorido/ As suas mágoas exala,/ E volta ao gozo perdido/ Quando ela ...

Os Dois Horizontes (3)

Dois horizontes fecham nossa vida:/ / Um horizonte, — a saudade/ Do que não há de voltar;/ Outro horizonte, — a esperança/ Dos tempos que hão de chegar;/ ...

As Rosas (4)

Rosas que desabrochais,/ Como os primeiros amores,/ Aos suaves resplendores/ Matinais;/ / Em vão ostentais, em vão,/ A vossa graça suprema;/ De pouco vale; é o diadema/ Da ilusão....

 (5)

As orações dos homens/ Subam eternamente aos teus ouvidos;/ Eternamente aos teus ouvidos soem/ Os cânticos da terra./ / No turvo mar da vida,/ Onde aos parcéis do crime ...

Erro (6)

Erro é teu. Amei-te um dia/ Com esse amor passageiro/ Que nasce na fantasia/ E não chega ao coração;/ Nem foi amor, foi apenas/ Uma ligeira impressão;/ Um querer indiferente,/ Em tua presença vivo,/ ...

Manhã de Inverno (7)

Coroada de névoas, surge a aurora/ Por detrás das montanhas do oriente;/ Vê-se um resto de sono e de preguiça,/ Nos olhos da fantástica indolente./ / Névoas enchem de um lado e de outro os morros/ Tr...

Luz entre Sombras (8)

É noite medonha e escura,/ Muda como o passamento*/ Uma só no firmamento/ Trêmula estrela fulgura./ / Fala aos ecos da espessura/ A chorosa harpa do vento,/ E num canto sonolento/ Entre as árvores mu...

A Caridade (9)

Ela tinha no rosto uma expressão tão calma/ Como o sono inocente e primeiro de uma alma/ Donde não se afastou ainda o olhar de Deus;/ Uma serena graça, uma graça dos céus* *,/ Era-lhe o casto, o bran...

O Verme (10)

Existe uma flor que encerra/ Celeste orvalho e perfume./ Plantou-a em fecunda terra/ Mão benéfica de um nume./ / Um verme asqueroso e feio,/ Gerado em lodo mortal,/ Busca esta flor virginal/ E vai do...

Horas Vivas (11)

Noite: abrem-se as flores.../ Que esplendores!/ Cíntia sonha amores/ Pelo céu./ Tênues as neblinas/ Às campinas/ Descem das colinas,/ Como um véu./ / Mãos em m...

Última Folha (12)

Musa, desce do alto da montanha/ Onde aspiraste o aroma da poesia,/ E deixa ao eco dos sagrados ermos/ A última harmonia./ / Dos teus cabelos de ouro, que beijavam/ Na amena tarde as viraçõ...

Os Arlequins - Sátira (13)

Musa, depõe a lira!/ Cantos de amor, cantos de glória esquece!/ Novo assunto aparece/ Que o gênio move e a indignação inspira./ Esta esfera é mais vasta,/ E vence a letr...

Lua Nova (14)

Mãe dos frutos, Jaci, no alto espaço/ Ei-la assoma serena e indecisa:/ Sopro é dela esta lânguida brisa/ Que sussurra na terra e no mar./ Não se mira nas águas do rio,/ Nem as ervas do campo branquei...

Aspiração (15)

Sinto que há na minha alma um vácuo imenso e fundo,/ E desta meia morte o frio olhar do mundo/ Não vê o que há de triste e de real em mim;/ Muita vez, ó poeta, a dor é casta assim;/ Refolha-se, não d...

Musa dos Olhos Verdes (16)

Musa dos olhos verdes, musa alada,/ Ó divina esperança,/ Consolo do ancião no extremo alento,/ E sonho da criança;/ / Tu que junto do berço o infante cinges/ C’os fúlgid...

Visio (17)

Eras pálida. E os cabelos,/ Aéreos, soltos novelos,/ Sobre as espáduas caíam.../ Os olhos meio cerrados/ De volúpia e de ternura/ Entre lágrimas luziam.../ E os braços entrelaçados,/ Como cingindo a ...

Os Semeadores (18)

Vós os que hoje colheis, por esses campos largos,/ O doce fruto e a flor,/ Acaso esquecereis os ásperos e amargos/ Tempos do semeador?/ / Rude era o chão; agreste e longo aquele d...

Noivado (19)

Vês, querida, o horizonte ardendo em chamas?/ Além desses outeiros/ Vai descambando o sol, e à terra envia/ Os raios derradeiros;/ A tarde, como noiva que enrubesce,/ Traz no rost...

Stella (20)

Já raro e mais escasso/ A noite arrasta o manto,/ E verte o último pranto/ Por todo o vasto espaço./ / Tíbio clarão já cora/ A tela do horizonte,/ E já de sobre o monte/ Vem debruçar-se a aurora./ / ...
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