Jorge de Sena

Portugal
2 Nov 1919 // 4 Jun 1978
Poeta/Crítico/Ensaísta/Ficcionista

23 Poemas

>>

Nasceu-te um Filho (1)

Nasceu-te um filho. Não conhecerás,/ jamais, a extrema solidão da vida./ Se a não chegaste a conhecer, se a vida/ ta não mostrou - já não conhecerás/ / a dor terrível de a saber escondida/ até no pur...

Amo-te Muito, Meu Amor, e Tanto (2)

Amo-te muito, meu amor, e tanto/ que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda/ depois de ter-te, meu amor. Não finda/ com o próprio amor o amor do teu encanto./ / Que encanto é o teu? Se continua enquan...

Como Queiras, Amor... (3)

Como queiras, Amor, como tu queiras./ Entregue a ti, a tudo me abandono,/ seguro e certo, num terror tranquilo./ A tudo quanto espero e quanto temo,/ entregue a ti, Amor, eu me dedico./ / Nada há que...

Cantar do Amigo Perfeito (4)

Passado o mar, passado o mundo, em longes praias,/ de areia e ténues vagas, como esta/ em que haverá de nossos passos a memória/ embora soterrada pela areia nova,/ e em que sobre as muralhas quanta s...

Deixai que a Vida sobre Vós Repouse (5)

Deixai que a vida sobre vós repouse/ qual como só de vós é consentida/ enquanto em vós o que não sois não ouse/ / erguê-la ao nada a que regressa a vida./ Que única seja, e uma vez mais aquela/ que n...

Que Encanto é o Teu? (6)

Amo-te muito, meu amor, e tanto/ que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda/ depois de ter-te, meu amor. Não finda/ com o próprio amor o amor do teu encanto./ / Que encanto é o teu? Se continua enquan...

Da Vida... não Fales Nela (7)

Da vida... não fales nela,/ quando o ritmo pressentes./ Não fales nela que a mentes./ / Se os teus olhos se demoram/ em coisas que nada são,/ se os pensamentos se enfloram/ em torno delas e não/ em t...

Desencontro (8)

Só quem procura sabe como há dias/ de imensa paz deserta; pelas ruas/ a luz perpassa dividida em duas:/ a luz que pousa nas paredes frias,/ outra que oscila desenhando estrias/ nos corpos ascendentes...

Independência (9)

Recuso-me a aceitar o que me derem./ Recuso-me às verdades acabadas;/ recuso-me, também, às que tiverem/ pousadas no sem-fim as sete espadas./ / Recuso-me às espadas que não ferem/ e às que ferem por...

Ode para o Futuro (10)

Falareis de nós como de um sonho./ Crepúsculo dourado. Frases calmas./ Gestos vagarosos. Música suave./ Pensamento arguto. Subtis sorrisos./ Paisagens deslizando na distância./ Éramos livres. Falávam...

Ode à Mentira (11)

Crueldades, prisões, perseguições, injustiças,/ como sereis cruéis, como sereis injustas?/ Quem torturais, quem perseguis,/ quem esmagais vilmente em ferros que inventais,/ apenas sendo vosso gemeria...

Ascensão (12)

Nunca estive tão perto da verdade./ Sinto-a contra mim,/ Sei que vou com ela./ / Tantas vezes falei negando sempre,/ esgotando todas as negações possíveis,/ conduzindo-as ao cerco da verdade,/ que ho...

Ser (13)

Cansada expectativa tão ansiosa/ que ser só eu na minha vida espalha!/ Na longa noite em que se tece a malha/ do que não serei nunca, fervorosa/ / minha presença rútila e curiosa/ arde sombria como u...

Exactidão (14)

Levam as frases sentido/ que uma cadência lhes dá:/ sentido do não-vivido/ a que fica reduzido/ o que, escolhido, não há./ / Do imo do poder ser,/ onde o não-sido se arrasta,/ ouvi cadências crescer:...

Ode ao Destino (15)

Destino: desisti, regresso, aqui me tens./ / Em vão tentei quebrar o círculo mágico/ das tuas coincidências, dos teus sinais, das ameaças,/ do recolher felino das tuas unhas retracteis/ - ah então, n...

Eternidade (16)

Vens a mim/ pequeno como um deus,/ frágil como a terra,/ morto como o amor,/ falso como a luz,/ e eu recebo-te/ para a invenção da minha grandeza,/ para rodeio da minha esperança/ e pálpebras de astr...

Um Epílogo (17)

Quando estes poemas parecerem velhos,/ e for risível a esperança deles:/ já foi atraiçoado então o mundo novo,/ ansiosamente esperado e conseguido/ - e são inevitáveis outros poemas novos,/ sinal da ...

Ter-te de Todas as Maneiras (18)

E, todavia, eu não quisera amar-te./ Mas ter-te, sim, de todas as maneiras./ Quem és e como és, de quem te abeiras,/ que dizes ou não dizes, pouco importa./ / E muito menos hoje me conforta./ Neste s...

Ode ao Amor (19)

Tão lentamente, como alheio, o excesso de desejo,/ atento o olhar a outros movimentos,/ de contacto a contacto, em sereno anseio, leve toque,/ obscuro sexo á flor da pele sob o entreaberto/ de roupas...

Baptismo (20)

Os mais difíceis poemas onde falo de amor/ são aqueles em que o amor contempla./ / O amor esquece ao contemplar,/ esquece que não existe e encantado olha/ um raio anónimo sob o vento mais leve./ / Co...
>>

Facebook

© Copyright 2003-2017 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE