Jorge de Sena

Portugal
2 Nov 1919 // 4 Jun 1978
Poeta/Crítico/Ensaísta/Ficcionista

23 Poemas

<< >>

Ode à Mentira (11)

Crueldades, prisões, perseguições, injustiças,/ como sereis cruéis, como sereis injustas?/ Quem torturais, quem perseguis,/ quem esmagais vilmente em ferros que inventais,/ apenas sendo vosso gemeria...

Ascensão (12)

Nunca estive tão perto da verdade./ Sinto-a contra mim,/ Sei que vou com ela./ / Tantas vezes falei negando sempre,/ esgotando todas as negações possíveis,/ conduzindo-as ao cerco da verdade,/ que ho...

Ser (13)

Cansada expectativa tão ansiosa/ que ser só eu na minha vida espalha!/ Na longa noite em que se tece a malha/ do que não serei nunca, fervorosa/ / minha presença rútila e curiosa/ arde sombria como u...

Exactidão (14)

Levam as frases sentido/ que uma cadência lhes dá:/ sentido do não-vivido/ a que fica reduzido/ o que, escolhido, não há./ / Do imo do poder ser,/ onde o não-sido se arrasta,/ ouvi cadências crescer:...

Ode ao Destino (15)

Destino: desisti, regresso, aqui me tens./ / Em vão tentei quebrar o círculo mágico/ das tuas coincidências, dos teus sinais, das ameaças,/ do recolher felino das tuas unhas retracteis/ - ah então, n...

Eternidade (16)

Vens a mim/ pequeno como um deus,/ frágil como a terra,/ morto como o amor,/ falso como a luz,/ e eu recebo-te/ para a invenção da minha grandeza,/ para rodeio da minha esperança/ e pálpebras de astr...

Um Epílogo (17)

Quando estes poemas parecerem velhos,/ e for risível a esperança deles:/ já foi atraiçoado então o mundo novo,/ ansiosamente esperado e conseguido/ - e são inevitáveis outros poemas novos,/ sinal da ...

Ter-te de Todas as Maneiras (18)

E, todavia, eu não quisera amar-te./ Mas ter-te, sim, de todas as maneiras./ Quem és e como és, de quem te abeiras,/ que dizes ou não dizes, pouco importa./ / E muito menos hoje me conforta./ Neste s...

Ode ao Amor (19)

Tão lentamente, como alheio, o excesso de desejo,/ atento o olhar a outros movimentos,/ de contacto a contacto, em sereno anseio, leve toque,/ obscuro sexo á flor da pele sob o entreaberto/ de roupas...

Baptismo (20)

Os mais difíceis poemas onde falo de amor/ são aqueles em que o amor contempla./ / O amor esquece ao contemplar,/ esquece que não existe e encantado olha/ um raio anónimo sob o vento mais leve./ / Co...
<< >>

Facebook

© Copyright 2003-2019 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE