Jorge Luis Borges

Argentina
24 Ago 1899 // 14 Jul 1986
Escritor/Poeta/Ensaísta

14 Poemas



Sou (1)

Sou o que sabe não ser menos vão/ Que o vão observador que frente ao mudo/ Vidro do espelho segue o mais agudo/ Reflexo ou o corpo do irmão./ Sou, tácitos amigos, o que sabe/ Que a única vingança ou ...

Os Justos (2)

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire./ O que agradece que na terra haja música./ O que descobre com prazer uma etimologia./ Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso ...

O Apaixonado (3)

Luas, marfins, instrumentos e rosas,/ Traços de Dúrer, lampiões austeros,/ Nove algarismos e o cambiante zero,/ Devo fingir que existem essas coisas./ Fingir que no passado aconteceram/ Persépolis e ...

Não és os Outros (4)

Não há-de te salvar o que deixaram/ Escrito aqueles que o teu medo implora;/ Não és os outros e encontras-te agora/ No meio do labirinto que tramaram/ Teus passos. Não te salva a agonia/ De Jesus ou ...

O Suicida (5)

Não restará na noite uma só estrela./ Não restará a noite./ Morrerei e comigo irá a soma/ Do intolerável universo./ Apagarei medalhas e pirâmides,/ Os continentes e os rostos./ Apagarei a acumulação ...

As Causas (6)

Todas as gerações e os poentes./ Os dias e nenhum foi o primeiro./ A frescura da água na garganta/ De Adão. O ordenado Paraíso./ O olho decifrando a maior treva./ O amor dos lobos ao raiar da alba./ ...

Do que Nada se Sabe (7)

A lua ignora que é tranquila e clara/ E não pode sequer saber que é lua;/ A areia, que é a areia. Não há uma/ Coisa que saiba que sua forma é rara./ As peças de marfim são tão alheias/ Ao abstracto x...

O Cúmplice (8)

Crucificam-me e eu tenho de ser a cruz e os pregos./ Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta./ Enganam-me e eu tenho de ser a mentira./ Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno./ Tenho de louv...

Nostalgia do Presente (9)

Naquele preciso momento o homem disse:/ «O que eu daria pela felicidade/ de estar ao teu lado na Islândia/ sob o grande dia imóvel/ e de repartir o agora/ como se reparte a música/ ou o sabor de um f...

Os Meus Livros (10)

Os meus livros (que não sabem que existo)/ São uma parte de mim, como este rosto/ De têmporas e olhos já cinzentos/ Que em vão vou procurando nos espelhos/ E que percorro com a minha mão côncava./ Nã...

Nem Sequer Sou Poeira (11)

Não quero ser quem sou. A avara sorte/ Quis-me oferecer o século dezassete,/ O pó e a rotina de Castela,/ As coisas repetidas, a manhã/ Que, prometendo o hoje, dá a véspera,/ A palestra do padre ou d...

O Remorso (12)

Cometi o pior desses pecados/ Que podem cometer-se. Não fui sendo/ Feliz. Que os glaciares do esquecimento/ Me arrastem e me percam, despiedados./ Plos meus pais fui gerado para o jogo/ Arriscado e t...

Elegia da Lembrança Impossível (13)

O que não daria eu pela memória/ De uma rua de terra com baixos taipais/ E de um alto ginete enchendo a alba/ (Com o poncho grande e coçado)/ Num dos dias da planície,/ Num dia sem data./ O que não d...

Em Memória de Angélica (14)

Quantas vidas possíveis já descansam/ Nesta bem pobre e diminuta morte,/ Quantas vidas possíveis que outra sorte/ Daria ao esquecimento ou à lembrança!/ Quando eu morrer, morrerá um passado;/ Com est...


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Diário

Novembro 1915 15 — A manhã começou com uma pequena desilusão: resposta negativa de Guimarães e Cª (mas boa notícia por causa do estado incompleto do panfleto). O dia passou de modo bastante agradá...

Regressar à Inocência

Seja como as crianças, mantenha os olhos abertos, sem preconceitos escondidos atrás da vista. Se olhar com clareza, pequenas flores, ou pedaços de relva, ou borboletas, ou um pôr do Sol proporcionar-...
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