José Luís Peixoto

Portugal
n. 4 Set 1974
Escritor

11 Poemas



A Mulher Mais Bonita do Mundo (1)

estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram/ flores novas na terra do jardim, quero dizer/ que estás bonita./ / entro na casa, entro no quarto, abro o armário,/ abro uma gaveta, abro uma caixa on...
A Casa, A Escuridão

Palavras para a Minha Mãe (2)

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses/ as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz./ sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente./ / pelas palavras que nunca diss...
A Casa, A Escuridão

quando a ternura for a única regra da manhã (3)

um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,/ acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela./ e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor./ um dia, quando a ...
A Criança em Ruínas

Explicação da Eternidade (4)

devagar, o tempo transforma tudo em tempo./ o ódio transforma-se em tempo, o amor/ transforma-se em tempo, a dor transforma-se/ em tempo./ / os assuntos que julgámos mais profundos,/ mais impossíveis...
A Casa, A Escuridão

na hora de pôr a mesa, éramos cinco (5)

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:/ o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs/ e eu. depois, a minha irmã mais velha/ casou-se. depois, a minha irmã mais nova/ casou-se. depois, o meu pai morreu. hoj...
A Criança em Ruínas

Amor (6)

o teu rosto à minha espera, o teu rosto/ a sorrir para os meus olhos, existe um/ trovão de céu sobre a montanha./ / as tuas mãos são finas e claras, vês-me/ sorrir, brisas incendeiam o mundo,/ respir...
A Casa, A Escuridão

arte poética (7)

o poema não tem mais que o som do seu sentido,/ a letra p não é a primeira letra da palavra poema,/ o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,/ poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê...
A Criança em Ruínas

fingir que está tudo bem (8)

fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido/ com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro/ do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir/ que está tudo bem: olhas-me e só tu sa...
A Criança em Ruínas

mil estrelas no colo (9)

mãe, eu sei que ainda guardas mil estrelas no colo./ eu, tantas vezes, ainda acredito que mil estrelas são/ todas as estrelas que existem./ / José Luís Peixoto, in 'A Casa, a Escuridão'...
A Casa, A Escuridão

o tempo subitamente solto (10)

o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,/ como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,/ mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer./ eram os teus olhos, labirintos de água, terra...
A Criança em Ruínas

gruas no cais descarregam mercadorias e eu amo-te (11)

gruas no cais descarregam mercadorias e eu amo-te./ homens isolados caminham nas avenidas e eu amo-te./ silêncios eléctricos faíscam dentro das máquinas e eu amo-te./ destruição contra o caos, destru...
Gaveta de Papéis


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