Luis Filipe Castro Mendes

Portugal
n. 1950
Poeta/Ficcionista

19 Poemas



Romance de Nós (1)

Estou à beira do mar,/ estou à beira de ti./ Ardem no meu olhar/ os sonhos que não vi./ Tudo em nós foi naufrágio,/ não quisemos saber:/ fizemos nosso adágio/ do que não pôde ser./ Que resta do amor/...

Nós não Somos deste Mundo (2)

Para a solidão nascemos. Outras vozes/ nos chamam e invocam, outros corpos/ se perfilam radiosos contra a noite./ Nós não somos daqui. Num intervalo/ de campanhas esquecidas nos dizemos,/ abrindo o c...

Tentação (3)

Eu não resistirei à tentação,/ não quero que de mim possas perder-te,/ que só na fonte fria da razão/ renasça a minha sede de beber-te./ / Eu não resistirei à tentação/ de quanto adivinhei nesta amar...

Porque é Tão Ansiosamente que Espero por Ti? (4)

Porque é tão ansiosamente que espero por ti?/ Sabias ocultar entre os teus menores movimentos/ a lembrança de um corpo e de um ardor sem música/ nem esquecimento possível. Quantas cidades/ atravessám...

Como um Adeus Português (5)

Meu amor, desaparecido no sono como sonho de outro sonho,/ meu amor, perdido na música dos versos que faço e recomeço,/ meu amor por fim perdido./ / Nenhuma lâmpada se acende na câmara escura do esqu...

Sonho (6)

Numa casa de vidro te sonhei./ Numa casa de vidro me esperavas./ Num poço ou num cristal me debrucei./ Só no teu rosto a morte me alcançava./ / De quem a morte, por terror de mim?/ De quem o infinito...

Os Amantes Obscuros (7)

Nossos sentidos juntos fazem chama:/ e as fantasias nossas vão soltar/ os desejos desertos de quem ama/ e em verso ou coração se quis tornar./ / Nossos sentidos são matéria prima/ de um canto que é m...

Do Medo (8)

1/ / Não pode o poema/ circunscrever o medo,/ dar-lhe o rosto glorioso/ de uma fábula/ ou crer intensamente na sua aura./ Nós permanecemos, quando/ escurece à nossa volta o frio/ do esquecimento/ e d...

Das Palavras (9)

As palavras mais simples/ foram as que te dei;/ o amor não sabe outras,/ só estas fazem lei./ As palavras de uso/ mais comum e vulgar/ são as que amor conhece./ Com elas nos pensamos;/ é nelas que te...

De Esquecer (10)

Demorei-me muito tempo ao pé de ti./ As portas fechadas por dentro, como se encerrasses/ o amor e a lei. Demorei-me demais. Ao fim da tarde,/ nesse mesmo dia que já morreu,/ olhámo-nos devagar, mas d...

Como o Coração (11)

Tudo o que dizemos e fazemos/ passa por esses momentos violentos do corpo,/ onde os desejos vêm beber como os animais cansados/ chegam aos grandes rios originários das nossas fundações./ Que memória ...

Fim do Dia (12)

Aquieta-se o silêncio na folhagem,/ que em árvores teceu amor antigo;/ sobressalto transposto da viagem/ que o dia rumoroso fez consigo./ / O coração, que é sombra na paisagem,/ dá às palavras vãs ou...

De Memória (13)

Nunca te surpreendeu o sorriso estático/ das imagens antigas? Alguma coisa aqui/ tivemos de perder. Percorro dias e corpos na memória,/ mas o que procuro mais é não te ver./ / Quem ama quem? As másca...

Finda (14)

A conclusão de tudo é só a morte/ e não há mais epílogo nem finda./ Não se termina o verso nem o curso/ mudamos à conversa interrompida./ / Não findamos o verso nem acaba/ o desfazer-se o mar contra ...

Eu Digo do Amor não Mais que a Sombra (15)

Eu digo do amor não mais que a sombra./ Agora o quarto oferece toda a inclinação da luz/ aos dedos que tremem só de aflorar/ o que da carne é já incorruptível saber/ e crispação sem causa natural./ S...

De Amor (16)

Considera o amor como um retoque num quadro antigo/ que subitamente o vem iluminar:/ vimo-nos muitas vezes antes de seres no meu olhar/ aquela luz em um país perdido/ que tu quiseste em vão es...

Crítica da Poesia (17)

Que a frenética poesia me perdoe/ se a um baço rumor levanto o laço,/ pois que verso não há onde não soe/ a música discreta doutro espaço./ / Horizonte do verso é a dureza:/ já mansidão não cabe nest...

Dedicatória (18)

A quem não basta a vida, a quem procura/ as luzes escondidas de outra noite/ deixo dedicatória e pronta fuga/ da treva que nos ronda até à morte./ / Mas já não sei mentir. Ruim figura./ Durou o nosso...

Inscrição (19)

Ama silenciosamente o teu destino./ Nem pátria nem palavras memoráveis/ farão durar a luz nos teus sentidos:/ alguns objectos que te lembrem, poucos livros/ e versos que sílaba a sílaba transfiguras/...


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