Luís Vaz de Camões

Portugal
1524 // 10 Jun 1580
Poeta

68 Poemas

<< >>

Corro Após este Bem que não se Alcança (11)

Oh como se me alonga de ano em ano/ A peregrinação cansada minha!/ Como se encurta, e como ao fim caminha/ Este meu breve e vão discurso humano!/ / Minguando a idade vai, crescendo o dano;/ Perdeu-se...

Do Tempo que Fui Livre me Arrependo (12)

O culto divinal se celebrava/ No templo donde toda criatura/ Louva o Feitor divino, que a feitura/ Com seu sagrado sangue restaurava./ / Amor ali, que o tempo me aguardava/ Onde a vontade tinha mais ...

Bem Sei, Amor, que é Certo o que Receio (13)

Bem sei, Amor, que é certo o que receio;/ Mas tu, porque com isso mais te apuras,/ De manhoso, mo negas, e mo juras/ Nesse teu arco de ouro; e eu te creio./ / A mão tenho metida no meu seio,/ E não v...

Vossos Olhos, Senhora, que Competem (14)

Vossos olhos, Senhora, que competem/ Com o Sol em beleza e claridade,/ Enchem os meus de tal suavidade,/ Que em lágrimas de vê-los se derretem./ / Meus sentidos prostrados se submetem/ Assim cegos a ...

Que Vençais no Oriente tantos Reis (15)

Que vençais no Oriente tantos Reis,/ Que de novo nos deis da Índia o Estado,/ Que escureçais a fama que hão ganhado/ Aqueles que a ganharam de infiéis;/ / Que vencidas tenhais da morte as leis,/ E qu...

Em Amor não há Senão Enganos (16)

Suspiros inflamados que cantais/ A tristeza com que eu vivi tão cedo;/ Eu morro e não vos levo, porque hei medo/ Que ao passar do Leteo vos percais./ / Escritos para sempre já ficais/ Onde vos mostra...

Não Canse o Cego Amor de me Guiar (17)

Pois meus olhos não cansam de chorar/ Tristezas não cansadas de cansar-me;/ Pois não se abranda o fogo em que abrasar-me/ Pôde quem eu jamais pude abrandar;/ / Não canse o cego Amor de me guiar/ Dond...

Repouso na Alegria Comedido (18)

Leda serenidade deleitosa,/ Que representa em terra um paraíso;/ Entre rubis e perlas, doce riso,/ Debaixo de ouro e neve, cor-de-rosa;/ / Presença moderada e graciosa,/ Onde ensinando estão despejo ...

Louvado Seja Amor em Meu Tormento (19)

No tempo que de amor viver soía,/ Nem sempre andava ao remo ferrolhado;/ Antes agora livre, agora atado,/ Em várias flamas variamente ardia./ / Que ardesse n'um só fogo não queria/ O Céu porque tives...

Jurando de não Mais em Outra Ver-me (20)

Como quando do mar tempestuoso/ O marinheiro todo trabalhado,/ De um naufrágio cruel saindo a nado,/ Só de ouvir falar nele está medroso;/ / Firme jura que o vê-lo bonançoso/ Do seu lar o não tire so...
<< >>

Facebook

© Copyright 2003-2019 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE