Luís Vaz de Camões

Portugal
1524 // 10 Jun 1580
Poeta

68 Poemas

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Lágrimas Tristes Tomarão Vingança (21)

Se somente hora alguma em vós piedade/ De tão longo tormento se sentira,/ Amor sofrera, mal que eu me partira/ De vossos olhos, minha saudade./ / Apartei-me de vós, mas a vontade,/ Que por o natural ...

Amor um Mal que Falta quando Cresce (22)

Aquela fera humana que enriquece/ A sua presunçosa tirania/ Destas minhas entranhas, onde cria/ Amor um mal que falta quando cresce;/ / Se nela o Céu mostrou (como parece)/ Quanto mostrar ao mundo pr...

Somente se Queixa de Amorosas Esquivanças (23)

Ditoso seja aquele que somente/ Se queixa de amorosas esquivanças;/ Pois por elas não perde as esperanças/ De poder nalgum tempo ser contente./ / Ditoso seja quem estando ausente/ Não sente mais que ...

Pouco te Ama (24)

Na metade do Céu subido ardia/ O claro, almo Pastor, quando deixavam/ O verde pasto as cabras, e buscavam/ A frescura suave da água fria./ / Com a folha das árvores, sombria,/ Do raio ardente as aves...

Vivo em Lembranças, Morro de Esquecido (25)

Doces lembranças da passada glória,/ Que me tirou fortuna roubadora,/ Deixai-me descansar em paz uma hora,/ Que comigo ganhais pouca vitória./ / Impressa tenho na alma larga história/ Deste passado b...

A Dor da Ausência Fica Mais Pequena (26)

Quando vejo que meu destino ordena/ Que, por me experimentar, de vós me aparte,/ Deixando de meu bem tão grande parte,/ Que a mesma culpa fica grave pena,/ / O duro desfavor, que me condena,/ Quando ...

Sem Causa, Juntamente Choro e Rio (27)

Tanto de meu estado me acho incerto,/ Que em vivo ardor tremendo estou de frio;/ Sem causa, juntamente choro e rio,/ O mundo todo abarco, e nada aperto./ / É tudo quanto sinto um desconcerto:/ Da alm...

Quanto Mais vos pago, Mais vos Devo (28)

Quem vê, Senhora, claro e manifesto/ O lindo ser de vossos olhos belos,/ Se não perder a vista só com vê-los,/ Já não paga o que deve a vosso gesto./ / Este me parecia preço honesto;/ Mas eu, por de ...

Vejo que nem um Breve Engano Posso Ter (29)

Quando de minhas mágoas a comprida/ Maginação os olhos me adormece,/ Em sonhos aquela alma me aparece,/ Que para mi foi sonho nesta vida./ / Lá numa soidade, onde estendida/ A vista por o campo desfa...

A Fé que me Obriga a Tanto Amar-vos (30)

Dai-me ũa lei, Senhora, de querer-vos,/ Porque a guarde sob pena de enojar-vos;/ Pois a fé que me obriga a tanto amar-vos/ Fará que fique em lei de obedecer-vos./ / Tudo me defendei, senão só ve...

Lembranças Saudosas (31)

Lembranças saudosas, se cuidais/ De me acabar a vida neste estado,/ Não vivo com meu mal tão enganado,/ Que não espere dele muito mais./ / De longo tempo já me costumais/ A viver de algum bem desespe...

Vos Foi Beijar na Parte Onde se Via (32)

O fogo que na branda cera ardia,/ Vendo o rosto gentil, que eu na alma vejo,/ Se acendeu de outro fogo do desejo/ Por alcançar a luz que vence o dia./ / Como de dois ardores se incendia,/ Da grande i...

Lágrimas de Honesta Piedade e Imortal Contentamento (33)

Amor, que o gesto humano na alma escreve,/ Vivas faíscas me mostrou um dia,/ Donde um puro cristal se derretia/ Por entre vivas rosas a alva neve./ / A vista, que em si mesma não se atreve,/ Por se c...

Que Amor Fez sem Remédio, o Tempo, os Fados? (34)

Depois de tantos dias mal gastados,/ Depois de tantas noites mal dormidas,/ Depois de tantas lágrimas vertidas,/ Tantos suspiros vãos vãmente dados,/ / Como não sois vós já desenganados,/ Desejos, qu...

O Capitão Ilustre, e Assinalado, Dom Fernando de Castro (35)

Debaixo desta pedra está metido,/ Das sanguinosas armas descansado,/ O Capitão ilustre, e assinalado,/ Dom Fernando de Castro, e esclarecido./ / Este por todo o Oriente tão metido,/ Este da própria ...

A Vós Seu Resplendor Deu Sol e Lua (36)

Pelos raros extremos que mostrou/ Em sábia Palas, Vénus em formosa,/ Diana em casta, Juno em animosa,/ África, Europa e Ásia as adorou./ / Aquele saber grande que juntou/ Espírito e corpo em liga gen...

Ditosa Ave (37)

Quem fosse acompanhando juntamente/ Por esses verdes campos a avezinha,/ Que despois de perder um bem que tinha,/ Não sabe mais que cousa é ser contente!/ / E quem fosse apartando-se da gente,/ Ela p...

Pede o Desejo, Dama, que Vos Veja (38)

Pede o desejo, Dama, que vos veja:/ Não entende o que pede; está enganado./ É este amor tão fino e tão delgado,/ Que quem o tem não sabe o que deseja./ / Não há cousa, a qual natural seja,/ Que não q...

O Mágico Veneno (39)

Um mover de olhos, brando e piedoso,/ Sem ver de quê; um riso brando e honesto,/ Quase forçado; um doce e humilde gesto,/ De qualquer alegria duvidoso;/ / Um despejo quieto e vergonhoso;/ Um repouso ...

Com Tornar-vos a Ver Amor me Cura (40)

Ferido sem ter cura perecia/ O forte e duro Télefo temido/ Por aquele que na água foi metido,/ E a quem ferro nenhum cortar podia./ / Quando a apolíneo Oráculo pedia/ Conselho para ser restituído,/ R...
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